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Sem abrigo de Vila Nova da Barquinha já não dorme na rua
José Peixoto (centro), Emílio Miranda (esquerda) e João Machado (direita) foto O MIRANTE

Sem abrigo de Vila Nova da Barquinha já não dorme na rua

José Peixoto foi alojado pela junta de freguesia nos balneários do desactivado campo de futebol da Moita, transformados em habitação.

Edição de 11.01.2018 | Sociedade

José Peixoto tem 61 anos, é natural de Vila Nova da Barquinha e viveu nas ruas de Lisboa vários anos. No Verão passado regressou à terra natal e dormia na rua. Nunca casou, não tem filhos, nem família que o ajudasse. Depois da morte dos pais, os irmãos venderam a casa de família e José ficou sem sítio onde morar.
Em Julho, numa corrida de rotina, o presidente da Junta de Freguesia da Barquinha, João Machado, e Emílio Miranda, secretário da assembleia de freguesia, depararam-se com a situação e decidiram ajudar José. O balneário do campo de futebol do extinto Grupo Desportivo da Moita foi a solução encontrada para alojar o sem abrigo que, desde Julho de 2017, mora naquele espaço.
A Junta da Barquinha tem a intenção de construir naquele espaço um alojamento social, que permita dar resposta a situações semelhantes à de José, que existem em Vila Nova da Barquinha. “Há pelo menos mais dois casos que precisam de alojamento digno”, explicou João Machado a O MIRANTE. E a junta pretende encontrar os meios para construir o alojamento social naquele espaço, que estava desactivado.
José Peixoto está reformado por invalidez há mais de vinte anos. Recebe uma pensão de 200 e poucos euros, o que não lhe permite pagar uma renda e todas as outras despesas associadas a uma habitação. Morar na rua foi a forma que encontrou para ir sobrevivendo. Uns tempos em Lisboa, quando estava mais frio, “porque lá há abrigos para as pessoas da rua”, contou a O MIRANTE, e depois regressava à sua terra.
José trabalhou alguns anos na Câmara da Barquinha, a fazer reparações, mas os azares e acidentes sucederam-se, roubando-lhe a saúde. “Uma vez estava a cortar uns ramos de uma árvore com um motosserra e caí da árvore com o motosserra em cima”, lembrou. Esteve no hospital algum tempo, mas nunca recuperou totalmente. Voltou ao trabalho e quando estava a reparar uma parede velha apanhou um choque eléctrico nuns fios danificados. Salvou-se graças à intervenção de um colega que o puxou e conseguiu interromper a descarga de electricidade. Voltou ao hospital e lá esteve algum tempo. Já não estava apto para trabalhar.
Os pais morreram e os três irmãos venderam a casa da família, onde José morava, sem lhe garantirem nova morada. Ficou na rua. Foram cerca de vinte anos a partilhar os becos e bancos de jardim do país com outros sem abrigo. Sobreviveu recorrendo a ajudas pontuais das instituições, em Lisboa, onde passava mais tempo. O regresso às ruas da Barquinha quase passava despercebido porque José encontrou sempre forma de andar limpo e nunca pediu nada a ninguém.
Balneário adaptado para habitação
José Machado e Emílio Miranda recordam que naquele final de tarde de Julho, em que viram José deitado num banco de jardim e o reconheceram, nem queriam acreditar que um filho da terra estivesse naquela situação, sem que alguém o ajudasse. “Naquele momento falámos com ele e decidimos que não dormiria mais na rua”, disseram.
O balneário do campo de futebol da Moita foi a solução. A Junta da Barquinha paga a água, arranjou uma cama e alguns utensílios básicos, como um esquentador, para que José pudesse ter onde ficar abrigado e ter dignidade de vida. A alimentação é fornecida pela Santa Casa da Misericórdia da Barquinha.
José Peixoto regressou à sua terra e disse a O MIRANTE que agora é feliz com o que tem. As corridas quase diárias, com João Machado e outros amigos, no campo de futebol, são uma forma de manter a saúde que lhe resta.

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