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Parques de Negócios do Vale do Tejo captam dois investimentos de 40 milhões de euros
Foto O MIRANTE - José Eduardo Carvalho

Parques de Negócios do Vale do Tejo captam dois investimentos de 40 milhões de euros

José Eduardo Carvalho diz que foi um prémio para quem conseguiu aguentar o projecto durante a crise de 2010-2016

Edição de 18.01.2018 | Economia

José Eduardo Carvalho, presidente do conselho de administração dos Parques de Negócios de Rio Maior e de Torres Novas confirmou a atracção de dois grandes investimentos para a região, um em Rio Maior e outro em Torres Novas. O de Rio Maior é da empresa farmacêutica Generis e o de Torres Novas é de uma empresa do sector da logística, cujo nome disse ainda não poder revelar. O gestor manifestou a intenção de deixar a presidência do conselho de administração daqueles dois parques após a concretização da venda dos lotes, mantendo apenas a ligação ao Valleypark no Cartaxo.

Qual a área a ocupar pelos investimentos anunciados para Rio Maior e Torres Novas?

São investimentos de grande dimensão. O de Rio Maior será implantado numa área de 90.000 m2. O de Torres Novas ultrapassa os 30.000 m2. Com este investimento o Parque de Negócios de Torres Novas ficará com 50% da área totalmente ocupada. O de Rio Maior, como tem outra dimensão, ficará com 40% da área vendida.

Quanto tempo demoraram as negociações?

As negociações não foram fáceis. A de Torres Novas durou um ano e meio. A de Rio Maior foi mais célere mas exigiu uma resposta técnico-comercial muito complexa e difícil.

Os investimentos correspondem à estratégia definida para cada um dos Parques de Negócios?

São investimentos que entroncam na estratégia de especialização dos parques: o de Rio Maior para a indústria; o de Torres Novas para a logística.

Houve alturas em que algumas pessoas duvidaram da viabilidade dos Parques de Negócios.

Estes investimentos constituem um prémio para quem conseguiu aguentar estes projectos durante a crise de 2010-2016. Como se sabe, em Portugal, 90% dos projectos do sector imobiliário industrial faliram ou foram entregues à banca. Os dos Parques de Negócios do Vale do Tejo passaram por grandes dificuldades. Só a enorme capacidade de resiliência e empenhamento da administração, accionistas e equipa técnica permitiram que as sociedades não insolvessem. Nunca é demais referir o trabalho de Maria José Chaves, Ana Paula Correia e Vítor Costa. Viveram e superaram situações muito complexas nestes últimos cinco anos.

Como classifica o comportamento dos políticos locais durante esse tempo?

O projecto dos Parques de Negócios do Vale do Tejo conseguiu aguentar-se porque houve o bom senso nos principais partidos representados nos executivos camarários de não o transformarem em instrumento de luta político-partidária. Espero que assim continuem para o bem dos seus concelhos.

Ainda há muito a fazer até à concretização da venda dos lotes. Pode haver recuos?

Até ao arranque deste dois investimentos existe um grande trabalho técnico-urbanístico para concretizar e os prazos contratuais são exigentes. Terá de haver alterações aos loteamentos para instalar e enquadrar o investimento previsto. Espero que o empenhamento, a capacidade técnica e a celeridade dos serviços técnicos das Câmaras Municipais de Rio Maior e Torres Novas não comprometam o trabalho feito até aqui.

Receia que isso aconteça?

Estou convencido que não irá acontecer. Em momentos anteriores aqueles serviços sempre estiveram à altura.

É presidente da AIP e está envolvido noutros projectos. Tem intenção de se manter na administração dos Parques de Negócios?

Com a captação destes investimentos vou abandonar a presidência do conselho de administração do Parque de Negócios de Rio Maior e Torres Novas.

Quando?

Continuarei até à concretização das alterações de loteamentos e até ao cumprimento das cláusulas do contrato de compra e venda dos lotes destes dois investimentos. Depois sairei. Foram muitos anos, muito desgaste e muito esforço. Consegui aguentar os projectos durante o período da crise. O país está a entrar numa nova fase de investimento que dinamizará a actividade destes parques. Para isso precisam de um novo dinamismo e de novos protagonistas. Seria hipócrita se não dissesse que com a concretização destes dois investimentos esta será a melhor altura para sair, com um sentimento de dever e trabalho cumprido.

Também vai deixar o Valleypark?

Para já não. Continuarei na presidência da Valleypark até conseguir atrair um investimento semelhante para o Cartaxo. A comercialização iniciou-se há pouco tempo. Existem ainda algumas insuficiências de infraestruturação que condicionam a venda. Se rapidamente se concretizarem também a Valleypark atrairá investimentos desta natureza.

Está optimista?

Ainda esta semana eu e o Dr. Pedro Ribeiro (presidente da Câmara Municipal do Cartaxo) estivemos numa reunião na AICEP por causa do parque e foi reconhecida pelo presidente da AICEP a sua excelente localização e as condições urbanísticas. E é pela AICEP que passam e se negoceiam os grandes investimentos. O grupo de investidores que adquiriu os créditos à banca não está nervoso com a situação actual da Valleypark. Acreditam no projecto e na sua rentabilidade e acham que transformarão a realidade económica dos concelhos do Cartaxo e Santarém.

Parques de Negócios do Vale do Tejo captam dois investimentos de 40 milhões de euros

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