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Determinado Manuel Serra d’Aire

Edição de 18.01.2018 | Emails do Outro Mundo

Entrámos num novo ano e, como é habitual entre a gente que leva essas coisas a sério, também eu decidi formular algumas resoluções para 2018. A mais radical e com mais implicações directas no meu quotidiano é a de deixar de cumprimentar com contacto físico quem quer que seja e seja como for. Desde o fervoroso abraço ao apertado ‘bacalhau’, passando pelo beijinho ou beijinhos, consoante se trate de uma ‘tia’ ou de uma pessoa normal, tudo isso foi banido da minha vida.
E não penses que esta medida fundamentalista tem a ver com a fobia da gripe que anualmente toma conta do país. Não, a coisa é bem mais grave e a pandemia teve início nos Estados Unidos da América. Chama-se assédio sexual e qualquer sintoma disso, por mais descabido ou ténue que seja, pode arrasar a reputação de qualquer um. E ainda por cima é um vírus que ataca a memória e só produz efeitos, por vezes, muitas décadas depois.
Seja como for, meu caro, contactos só mesmo verbais e sem palavras ou frases dúbias. Por exemplo, lançar a uma amiga um inocente “estás boa?” pode agora atingir conotação de assédio, queixa na bófia, um ataque de ciumeira do marido e sei lá que mais. Dar uma pancadinha nas costas de uma colega de trabalho pode, daqui a 10 anos, causar dissabores. É só ela querer fazer-te a folha... E partilhar o chuveiro com outra rapaziada após um jogo da bola também está fora de questão pois nunca se sabe o que a casa gasta e o que nos espera daqui a uma ou duas décadas. Por isso, meu caro, muito cuidado e atenção porque por este andar um dia destes até fazer festas ao cão e ao gato vai ser conotado com avanço sexual sobre a bicharada. É só o PAN lembrar-se!!!
Por falar em gripe, parece que esta atacou em força no Hospital de Santarém deitando abaixo o sistema informático durante uma semana, como tu bem referiste. O grave da coisa é que os médicos tiveram que preencher a papelada outra vez toda à mão, coisa que, como se sabe, causou grandes dificuldades na decifração das mensagens até porque já há pouca gente que saiba ler letra de médico.
Mudando de assunto, a Câmara de Santarém lá despachou o director artístico do teatro municipal Sá da Bandeira com o argumento de que não estava satisfeita com a reduzida afluência de público aos espectáculos ali realizados. Mas eu, que sou um tipo que não se dá por satisfeito com justificações simplistas e redutoras, acredito que a culpa não está sempre só de um lado e, neste caso, a autarquia também pode apontar o dedo aos seus munícipes, que não ligam peva à cultura.
E não me venham dizer que os espectáculos eram elitistas, dirigidos a uma franja intelectualmente adiantada, porque não era bem assim. O director bem tentou chamar público recorrendo a estratagemas brejeiros e outrora infalíveis, como ter peças com actrizes nuas em palco. Mas os escalabitanos são tão avessos à cultura, com excepções da taurina e da maledicência, que nem assim se conseguiu convencê-los a descalçar as pantufas e a levantarem o rabo do sofá. Sendo assim, ninguém pode acusar o director de não fazer tudo ao seu alcance para esgotar a sala. A malta é que já nem com actrizes nuas lá vai... Ao que isto chegou!!
Um saravá do
Serafim das Neves

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