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Assinada certidão de óbito do projecto turístico megalómano da Quinta do Gualdim
Foto O MIRANTE - MEMÓRIA. A empresa chegou a criar um campo de futebol no local mas não passou disso

Assinada certidão de óbito do projecto turístico megalómano da Quinta do Gualdim

Câmara e Assembleia Municipal de Santarém revogaram plano de pormenor que possibilitava a construção, em zona rural, de um mega empreendimento turístico que nunca saiu do papel.

Edição de 17.01.2018 | Sociedade

A Câmara de Santarém assinou a certidão de óbito ao projecto imobiliário megalómano anunciado na década passada para a zona da Quinta do Gualdim, nos arredores da cidade, ao revogar o plano de pormenor dessa área. O projecto já estava morto e enterrado há uns anos mas faltava completar o processo administrativo, o que aconteceu agora, com a aprovação da revogação do Plano de Pormenor da Quinta do Gualdim pelo executivo camarário e pela assembleia municipal.
Esse plano de pormenor, na prática, ultrapassava as restrições à construção numa zona classificada no Plano Director Municipal (PDM) como zona agro-florestal e abria as portas a um empreendimento turístico de grandes dimensões anunciado pelo grupo Pelicano em 2005.

Do protocolo assinado por Rui Barreiro sobrou um relvado sintético
Na altura foi mesmo celebrado um protocolo entre a empresa e a Câmara de Santarém que previa uma série de contrapartidas para a autarquia. Na cláusula primeira do protocolo assinado entre o grupo Pelicano e a Câmara de Santarém em Maio de 2005, pouco tempo antes de terminar o mandato de Rui Barreiro (PS) como presidente da autarquia, a empresa comprometia-se a oferecer à autarquia um campo de futebol de relvado sintético, balneários, acessos e iluminação na zona da Quinta do Gualdim, para onde previa também a construção do aldeamento turístico.
Tudo não passou de um sonho megalómano, que se cingiu à construção do campo de futebol com relvado sintético, cujo piso acabou por ser transferido para o campo do Atlético Clube de Pernes. A crise internacional, com forte incidência no sector imobiliário e de construção, e o difícil acesso ao crédito bancário foram apontadas como justificações para o projecto não ter saído do papel.

Golfe, piscinas, ténis, hotel e muitas moradias
O aldeamento turístico anunciado para essa zona próxima de Romeira previa um campo de golfe de 18 buracos, um hotel de 3 pisos com 125 quartos, dois pequenos complexos de piscinas com dois courts de ténis e 2 recintos polidesportivos, um edifício para comércio e serviços, 204 apartamentos, 219 moradias em banda e 235 moradias isoladas.
Em 2007 a empresa referia a O MIRANTE que mantinha o interesse em investir, após o plano de pormenor ter sido ratificado em Conselho de Ministros. Ao todo, o empreendimento ocuparia uma área de cerca de 120 hectares, estimando-se que custasse 65 milhões de euros e criasse duzentos postos de trabalho directos. Destinava-se sobretudo ao mercado externo, designadamente inglês, alemão e escandinavo. Durante a cerimónia de assinatura do protocolo entre a autarquia e o grupo Pelicano, o então presidente da Câmara de Santarém, Rui Barreiro (PS), congratulava-se pelas contrapartidas obtidas pelo município e pela qualidade do projecto que “coloca Santarém no circuito do golfe”.
Em Abril de 2012, O MIRANTE noticiava o que já se adivinhava há muito: a empresa Pelicano - Investimentos Imobiliários desistia do empreendimento turístico que tinha projectado para a Quinta do Gualdim, tendo já vendido os terrenos a uma outra empresa imobiliária.

Assinada certidão de óbito do projecto turístico megalómano da Quinta do Gualdim

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