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Afiambrador Serafim das Neves

Edição de 25.01.2018 | Emails do Outro Mundo

Estou de acordo contigo quanto à injustiça da não renovação da avença ao programador do Teatro Sá da Bandeira por parte da Câmara de Santarém. É verdade que Pedro Barreiro chamou medíocre ao presidente da câmara mas isso deveria ser apreciado. Afinal um verdadeiro artista quer-se irreverente e provocador e o facto de ele ter metido numa peça de teatro “uma gaja nua a dizer asneiras”, como disse a própria gaja nua e asneirenta, só joga a seu favor.
Sei que houve pessoas que telefonaram à vereadora da Cultura a queixarem-se, embora não saiba se foi por causa da “gaja nua” ou por causa das asneiras. Seja como for, espero que o novo programador tenha em atenção esses dois factores, sendo mais ambicioso na contratação das actrizes que vai por em palco todas descascadas (estou disponível para dar uma ajuda no processo de selecção) e na escolha das carvalhadas a meter no texto.
Já agora, que não se esqueça de anunciar previamente que vai haver gajas nuas em palco porque se a polémica peça teve pouca gente a assistir de certeza que foi por falta de informação. Eu, por exemplo, não fui porque ninguém me disse o que ia acontecer.
Li há dias que andam miúdos a comer pastilhas de detergente para máquinas de lavar roupa. Se isso começou a acontecer depois de o Governo ter proibido certos alimentos nas cantinas escolares por terem demasiada gordura ou açúcar é bom que se diga que, embora engolir detergente possa pôr qualquer um a espumar pela boca e a deitar bolas de sabão pelo nariz e pelo cu, pelo menos não faz aumentar o colesterol; não faz engordar e não contribui para a diabetes, o que é bom.
Mesmo assim, este mundo está mesmo de pernas para o ar. E pensar eu que há umas décadas havia discussões que terminavam com um sonoro: “Vá mas é lamber sabão!”, e que a minha mãe me esfregava a boca com sabão azul quando eu me distraía e dizia alguma asneira.
O treinador de futebol do Ouriense, Mário Nelson, foi suspenso por um ano pelo Conselho de Disciplina da Associação de Futebol de Santarém por ter chegado a roupa ao pêlo a um jogador do Mação. Eu cada vez percebo menos destas coisas. Se a porrada mete jogadores, árbitros, treinadores, ai Jesus que não pode ser, mas nas bancadas, principalmente nos jogos das camadas jovens há pais a esgadanharem-se alegremente uns aos outros e há quem diga que aquilo até é bom para descomprimir.
Não sei se a suspensão do treinador se aplica apenas ao futebol mas, se assim for, é caso para o aconselhar a treinar boxeurs nos tempos mais próximos. Currículo já ele tem, publicidade não lhe falta. Agora é só comprar uns pares de luvas e está lançado.
Uma moda que não tem pegado por aqui é a das acusações de assédios sexuais. Mulheres que ao fim de trinta ou quarenta anos se lembram, provavelmente com a ajuda de caixas e caixas de Memofante, que um tipo qualquer andou a desafiá-las para a cama durante semanas e semanas sem nunca ter tido sorte nenhuma, ou que lhes deu um apalpão no rabo.
Para mim, a explicação é simples. As mulheres ribatejanas sempre foram muito pragmáticas. A cada apalpão não autorizado respondiam com umas chapadas bem dadas no marmanjo e a cada convite para outras actividades, respondiam com boatos avassaladores sobre o facto de a papeira ter mirrado por completo o sexo do parvalhão quando ele ainda era criança. E quando não era isso eram as cargas de porrada terapêuticas que maridos, namorados ou irmãos davam aos desgraçados que tinham o azar de serem denunciados.
Um abraço com palmadas nos lombos
Manuel Serra d’Aire

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