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Guarda-redes de 17 anos de Almeirim morre com doença grave e rara
Gonçalo Duarte Foto DR

Guarda-redes de 17 anos de Almeirim morre com doença grave e rara

Gonçalo Duarte tinha uma aplasia medular e durante o internamento sofreu várias complicações

Edição de 25.01.2018 | Sociedade

O guarda-redes das camadas jovens do União de Almeirim, Gonçalo Duarte, de 17 anos, morreu de uma aplasia medular, a que se seguiram várias complicações de saúde. Após ter sido diagnosticada a doença, em que a medula deixa de produzir os componentes sanguíneos (glóbulos e plaquetas), o que é diferente de leucemia, o jovem contraiu uma bactéria hospitalar, teve uma convulsão e teve de ser ventilado. Antes de falecer foi-lhe detectada uma hemorragia cerebral. Gonçalo era filho único e até ao dia 7 de Dezembro, quando foi internado, tinha sido sempre saudável, segundo contam a O MIRANTE, os pais Margarida Pisco e Francisco Almeida, que têm uma loja em frente aos Bombeiros de Almeirim.
Tudo começou quando Gonçalo estava a fazer um trabalho de grupo com colegas da turma do curso profissional de Turismo da Escola Secundária Marquesa de Alorna e começou a sangrar do nariz. A mãe do futebolista, que ainda está incrédula com toda esta situação, conta a O MIRANTE que nesse dia foram ao hospital de Santarém e não lhe foi detectada nenhuma doença. No dia seguinte Gonçalo sangrou da boca. Pensou-se que fosse do aparelho dentário que usava, mas o dentista afastou esse cenário. No mesmo dia, Margarida reparou que o filho tinha manchas no corpo e levou-o às urgências de Santarém, onde se verifica que tinha um valor muito baixo de plaquetas.
No Hospital de Santarém, o jovem levou uma transfusão de plaquetas e pouco tempo depois foi transferido para o Hospital dos Capuchos, onde lhe é feita uma punção lombar. O exame é inconclusivo. Era quinta-feira, véspera de feriado, e Gonçalo só é submetido a novo exame na segunda-feira seguinte, 11 de Dezembro, que aponta um diagnóstico de leucemia, que depois muda para aplasia medular, “uma doença grave, mas rara”, segundo a bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Marta Miranda, explica no texto no site FCiências. A doença, refere, pode ser “causada por exposição a substâncias tóxicas e radiações, consumo de certos medicamentos ou infecções virais, como as causadas pelos vírus da hepatite”.
Segundo a mãe de Gonçalo, é sugerido um tratamento inovador para ver se a medula começava a funcionar e o jovem faz o tratamento durante oito dias, até que é detectada uma bactéria hospitalar, que lhe complica o já frágil estado de saúde. Continua a levar transfusões de plaquetas e sangue e quando se decide transferi-lo para o Hospital de São José, este tem uma convulsão e é transportado já ligado a um ventilador. O jovem fica nesta situação durante uma semana, quando os médicos detectam algo diferente nos olhos de Gonçalo e é feita uma TAC, que revela uma hemorragia no cérebro, alegadamente devido à falta de plaquetas.
Gonçalo morreu no dia 19 de Janeiro, às 18h18, e a notícia da sua morte consternou a comunidade de Almeirim. “Os médicos não encontram explicação”, conta a mãe do jovem. “Estávamos muito contentes por não ser uma leucemia mas afinal ainda foi pior”. Nos últimos dias os pais de Gonçalo deixaram de ter cabeça e capacidade para conseguir conduzir para a capital do país e foram duas amigas do casal que os acompanharam, a quem estão muito agradecidos. “Agora já não ouvimos dizer pai e mãe. Sente-se um grande vazio”, diz Margarida, de 47 anos. Gonçalo era filho único e foi uma criança muito desejada. Margarida teve de esperar o efeito de tratamentos que fez a um rim para poder engravidar. Gonçalo nasceu prematuro de 34 semanas, mas após o parto não teve complicações de saúde.

Um jovem popular e uma referência

Gonçalo era um jovem querido na comunidade e a sua paixão era o futebol. Na Escola Secundária de Almeirim era muito popular e uma referência para os alunos e futebolistas mais novos. São muitas as mensagens, de amigos e conhecidos, deixadas na sua página no Facebook. As cerimónias fúnebres decorreram no domingo, 21 de Janeiro e por vontade da família todos os presentes vestiram cores claras.
O clube onde o jovem fez toda a sua formação lamentou a morte do ex-atleta. “O Gonçalo fez todo o seu percurso no União de Almeirim, tendo defendido as redes das equipas de Infantis, Iniciados e Juvenis. Foi sempre, enquanto atleta do União, um jovem enorme, que a todos os quantos privaram com ele deixa uma eterna saudade”, lê-se no comunicado. Em todos os jogos do último fim-de-semana em que participavam as equipas do União foi feito um minuto de silêncio.
O último treinador do jovem, nos juvenis do União de Almeirim, Filipe Rego, recorda Gonçalo como um menino “com uma humildade fora de série, amigo dos amigos e muito brincalhão. Nunca faltava aos treinos e vinha muitas vezes pedir para ir a avançado fazer uns golos e eu na brincadeira dizia-lhe; ó cepo vai lá para a baliza que eu faço os golos”, conta o técnico. No jogo do União de Almeirim frente ao rival Fazendense, no domingo, os jogadores de ambos os clubes exibiram braçadeiras pretas e vários elementos do clube de Fazendas de Almeirim estiveram no funeral. Gonçalo também fazia parte das Marchas de Almeirim.

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