uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Tetraplégico pede ajuda para ganhar autonomia
Henrique Correia conta com o apoio da família Foto O MIRANTE

Tetraplégico pede ajuda para ganhar autonomia

Henrique Correia ficou tetraplégico depois de cair de uma altura de 15 metros quando andava a apanhar pinhas com um amigo na Barragem de Magos, em Salvaterra de Magos. Já lá vão quase 20 anos. O apartamento onde vive com a família teve que ser adaptado à sua nova condição mas falta um elevador que lhe permita deslocar-se sem ajuda entre o primeiro andar onde vive e a entrada do prédio, no rés-do-chão.

Edição de 25.01.2018 | Sociedade

O dia 9 de Novembro de 1998 ficou marcado para sempre na vida de Henrique Correia e da sua família. Foi nesse dia que Henrique, na altura com 23 anos, foi apanhar pinhas com um amigo para a Barragem de Magos, em Salvaterra de Magos. Ao subir o pinheiro para alcançar uma pinha mais alta o tronco onde estava apoiado partiu-se e Henrique caiu de uma altura de cerca de 15 metros. Logo na altura percebeu que algo não estava bem porque não se conseguia mexer.
O amigo que estava consigo foi de mota chamar os bombeiros de Salvaterra que o transportaram para o Hospital de São José, em Lisboa, onde esteve internado cerca de uma semana. “Aí disseram-me logo que estava tetraplégico. É um choque indescritível. A nossa vida muda completamente de um dia para o outro e adaptarmo-nos a uma nova condição, a uma vida em que dependemos totalmente dos outros é muito complicado”, conta a O MIRANTE. Três anos antes tinha sofrido um acidente de trabalho que lhe afectou a coluna mas que não tinha causado consequências mais graves.
Depois de ter passado pelo Hospital de Santarém e de ter estado cerca de sete meses no Centro de Reabilitação de Alcoitão, Henrique regressou a casa e aí deparou-se com novos problemas. A casa, um primeiro andar situado perto da Falcoaria Real, em Salvaterra de Magos, teve que ser adaptada. A mãe, Deolinda Gregório, não baixou os braços e mudou a casa para dar o mínimo de condições ao filho. Transformou a marquise no quarto de Henrique por ser mais ampla e estar junto à cozinha, permitindo que o filho faça as refeições com a família. Na casa-de-banho foi retirado o bidé e, depois de ter caído com Henrique, decidiu retirar a banheira e instalou um polibã.

Viver no primeiro andar sem elevador
O principal problema para Henrique é conseguir sair e entrar em casa. O primeiro andar sem elevador obriga-o a utilizar as escadas do prédio. A alternativa usada é inapropriada para a sua condição. É o irmão, Roberto, ou o padrasto que transportam Henrique às cavalitas até ao piso térreo. Outras vezes, vai empurrado na cadeira de rodas mas o espaço é exíguo e no final do primeiro lanço de escadas os seus pés embatem na parede do prédio.
Quando nem o irmão nem o padrasto estão em casa e Henrique quer sair é o próprio que se arrasta pelas escadas abaixo e consegue colocar-se na pequena motorizada eléctrica na qual se desloca pela vila.
É devido à falta de condições que Henrique e a família pedem ajuda para a colocação de um elevador próprio para deficientes que lhe permita deslocar-se em segurança entre o primeiro andar e o rés-do-chão. Também existe a hipótese de alugar o rés-do-chão situado no mesmo prédio onde mora a sua família. No entanto, os escassos rendimentos da família não permitem suportar estar despesas.
“Eu recebo 260 euros de pensão de sobrevivência e a minha mãe também está reformada por invalidez, tem uma reforma muito baixa. Não temos possibilidades de mandar colocar um elevador. Carregar comigo é muito complicado. Além disso, o impacto na minha coluna com os solavancos a descer as escadas é perigoso para a minha saúde. E para a saúde dos meus familiares também”, diz.
A Câmara de Salvaterra de Magos disponibilizou uma casa para Henrique mas este teve que recusar pois fica a dois quilómetros de distância da família e os médicos referem que é importante a família estar por perto. “Se conseguíssemos pagar a renda da casa do rés-do-chão, que está para alugar, era o ideal porque o Henrique estava perto de nós. O problema é que o que ganhamos é quase tudo para comprar medicamentos”, afirma Deolinda Gregório.

Força de vontade não lhe falta

Apesar das adversidades Henrique demonstra ser um homem cheio de força e vontade de vencer os obstáculos que lhe surgem pela frente. Apesar de não ter força nas mãos consegue, fazendo força nos pulsos, movimentá-las. É assim que se veste e conduz a sua motorizada eléctrica. “É ele quem ata os atacadores. Demora tempo mas consegue”, conta a mãe Deolinda. Também é Henrique que se barbeia.
“Uma vez em Alcoitão as técnicas que lá trabalham pediram para eu mostrar aos outros pacientes como é que conseguia fazer uma série de pequenas coisas que eles não conseguiam fazer. Desenvolvi técnicas para conseguir ter um mínimo de autonomia”, refere Henrique.

Tetraplégico pede ajuda para ganhar autonomia

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...