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Trocou a vida calma em Abrantes pela agitação do Dubai
Mariana tem saudades da sua casa e da cidade de Abrantes Foto O MIRANTE

Trocou a vida calma em Abrantes pela agitação do Dubai

Formada em arquitectura, Mariana Moleiro mudou de área e voou para o Dubai onde é assistente de bordo numa companhia de aviação. Tem saudades da família, dos amigos e da comida portuguesa mas não pensa em regressar para já pois o salário é atractivo e inigualável por cá.

Edição de 25.01.2018 | Tão longe e aqui tão perto

Mariana Moleiro, 31 de anos, natural de Abrantes, emigrou para o Dubai há quase cinco anos depois de ter tentado a todo o custo vingar no seu país. Licenciou-se em Arquitectura e durante algum tempo exerceu essa carreira por conta própria. Mais tarde deu aulas de Educação Tecnológica até que decidiu tirar um mestrado em Ensino de Artes Visuais mas nenhuma destas carreiras profissionais a fez sentir-se realizada. Com apenas 26 anos decidiu participar num “Open Day” da companhia aérea Emirates, que se realizou num hotel na cidade de Lisboa, e a sua vida começou a mudar nesse dia.
O “Open Day” é uma forma de recrutamento utilizada por essa companhia aérea, onde Mariana se candidatou a assistente de bordo. Mariana conseguiu passar nas várias fases de recrutamento e quando deu por si estava a viver nos Emirados Árabes Unidos, na cidade do Dubai, em Fevereiro de 2013. Mas a adaptação não foi tão fácil como imaginava. De início foi viver para uma zona periférica da cidade onde se sentia isolada por causa da falta de transportes para o centro. “Não estava a viver perto do metro e a rede de autocarros não era de todo adequada”, explica.
Não conseguiu adaptar-se aos supermercados, que naquela zona tinham pouca variedade de comida, e além disso muitos dos produtos que vendiam nas pequenas superfícies da periferia da cidade não eram familiares a esta ribatejana, habituada à boa comida portuguesa. Quando mudou para uma zona mais central da cidade, Mariana descobriu uma realidade totalmente diferente. Ali podia encontrar uma grande variedade de produtos importados, inclusive vindos de países com uma cultura mais semelhante à sua.
A ribatejana garante que o que gosta mais no Dubai é o facto de ser “uma cidade multicultural e moderna”, acrescentando que naquela cidade é habitual verem-se mais estrangeiros do que locais. O que até facilita muito em termos de comunicação. “A barreira linguística não se sente de todo”, diz. Mariana explica que isso acontece porque não são os habitantes locais que trabalham na maioria das lojas e serviços e por isso é muito comum comunicar-se em inglês. As únicas ocasiões em que sente essa barreira linguística são quando quer comunicar com alguém que não domine o inglês, como quando tenta elaborar uma conversa numa loja ou restaurante onde os funcionários são na sua maioria filipinos ou indianos.

Saudades das pessoas e da comida
Um grande choque que teve ao início foi com o clima extremamente quente que se faz sentir no Dubai. Mariana garante que essa é a razão que leva as pessoas daquela cidade a preferirem os centros comerciais e as actividades em espaços cobertos. “Aqui até há um parque de diversões totalmente coberto”, conta, acrescentando que tem saudades do clima português.
Mas não é só do clima que Mariana sente falta. São muitas as saudades que tem da sua casa e da cidade de Abrantes, das florestas e das zonas rurais de Portugal. “Sinto falta da simpatia das pessoas e da vida no meu país, mesmo que mais modesta”. Outra coisa de que tem saudade é da típica comida portuguesa. “Eu e os meus amigos às vezes tentamos fazer jantares com comida portuguesa, mas acaba por não ser a mesma coisa”, diz, acrescentando que apesar da grande oferta de restaurantes que existe no Dubai a oferta de comida típica portuguesa não é muita. “Eu sou gulosa e por isso sinto muita falta dos nossos doces”, admite Mariana.
É grande o desejo de Mariana em um dia poder voltar a viver no seu país e na sua cidade mas as diferenças no nível de vida motivam-na a permanecer no Dubai. “Aqui o salário é muito superior a qualquer salário que teria em Portugal em arquitectura ou no ensino”.
Mesmo assim diz que “deixar a família em Portugal não foi tão difícil como estava à espera”. Mariana conta que o facto de se ter adaptado bem ao Emirados Árabes Unidos e de ter criado grandes laços de amizade com pessoas numa situação semelhante ajudou a abafar as saudades de casa e da família. “Acabámos por criar uma espécie de família aqui no Dubai”, conta.

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