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Imbatível Manuel Serra d’Aire

Edição de 01.02.2018 | Emails do Outro Mundo

Estou preocupado com a concorrência desleal que nos começou a ser feita pelo boletim municipal da Golegã. A edição de Dezembro de 2017 é uma peça de fino recorte da arte de zurzir e cortar na casaca que me fez lembrar as saudosas edições da Gaiola Aberta do José Vilhena. Só lá faltam os desenhos com moças roliças e pouco cobertas de pano. Este boletim oficial da Câmara da Golegã, como foi designado pelos seus autores, deve ter tido mais audiência do que os seus antecessores todos juntos e fez-me recordar também o abrasivo Independente que fazia a vida negra à classe política do cavaquismo.
Os episódios que são contados no boletim sobre as dívidas deixadas pelo anterior presidente da Câmara da Golegã, Rui Medinas, são um bom exemplo do que deve ser a transparência na actividade autárquica. Ficou o povo todo a saber dos calotes por pagar a entidades como a EDP, Águas de Santarém ou Resitejo e, inclusivamente, que o concelho esteve em risco de ter a iluminação pública cortada. E se acrescentarmos a isto o facto de o boletim ter sido publicado por um executivo socialista para acertar contas com o anterior executivo socialista está confeccionado o condimento que dá sabor às melhores caldeiradas. Apetece dizer, em relação aos socialistas da Golegã, que mais do que inimigos eram camaradas!
Outro pormenor a que ninguém fica alheio na apelativa publicação é o da quantidade de fotografias em que aparece o actual presidente da Câmara da Golegã, Veiga Maltez, para aí umas 50. Obviamente que se compreende! Sendo ele o autor da obra, digamos assim, mal seria que não aparecesse. E não venham com acusações de vaidade ou narcisismo. Quem não tem orgulho em si e na sua obra não está convicto do valor que tem. Van Gogh, por exemplo, até pintou um auto-retrato com uma orelha cortada.
Um dos temas do momento é o das cabras sapadoras que parecem ser a última mezinha governamental para acabar com os fogos nas florestas. A comunicação social de Lisboa vibrou com a descoberta da pólvora e os sapadores tiveram uma crise de ciúmes, sentindo-se encornados ao saberem que vão ter tal concorrência.
Eu congratulei-me com esta medida do Ministério da Administração Interna que tem como máximo responsável o ministro Eduardo Cabrita, o tal que tem um cão que não gosta de guardas a rondar a sua casa perto de Santarém. A oposição já começou a insinuar que esta ideia das cabras foi uma forma do ministro arranjar uma ocupação para o desaustinado cão, que iria assentar praça em general como comandante de campo das cabras sapadoras. Eu não acredito em fábulas, mas que seria um desfecho fabuloso, lá isso seria!
E por falar em canídeos a Câmara de Sardoal e o Agrupamento de Escolas local vão implementar um programa para promover o desenvolvimento das competências de leitura e capacidades de comunicação dos alunos, com o apoio de cães especializados. As crianças lêem em voz alta para os cães, que são bons ouvintes e não causam stress, para ganharem confiança e conseguirem ler em público. Só espero que as obras sejam escolhidas criteriosamente, tendo em conta o auditório, não vá o diabo tecê-las. Histórias que metam gatos, ciclistas e carteiros devem ficar de fora, para não pôr a canzoada em alvoroço.
Um abraço do
Serafim das Neves

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