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Quatro anos de prisão com pena suspensa por meter piripíri na vagina da rival

Tribunal confirmou crimes da mulher de Ourém que se vingou na namorada do ex-marido

Edição de 01.02.2018 | Sociedade

A mulher de Ourém que despejou um frasco de piripíri na vagina da sua rival e colega de trabalho, que namorava com o seu ex-marido, foi condenada a quatro anos de prisão com a pena a ser suspensa pelo mesmo período. O Tribunal de Santarém considerou provados os crimes de sequestro, roubo e coacção agravada cometidos por Paula Serafim, realçando que a arguida negou a prática dos factos de que foi acusada “num tom arrogante e de sobranceria em relação ao tribunal”. O colectivo de juízes salientou no acórdão que “embora não seja claro o motivo” pelo qual a arguida agiu, “não existem dúvidas quanto aos factos que efectivamente praticou”.
Os juízes confirmaram na generalidade a acusação do Ministério Público, que indiciava Paula, actualmente com 43 anos, de sequestrar a colega e obrigá-la a abrir as pernas onde “colocou uma grande quantidade” de picante na vagina da ofendida. O crime foi cometido com a ajuda de um cúmplice. Os factos remontam a 29 de Julho de 2011.
A situação foi espoletada por uma mensagem de telemóvel que a vítima pensou ter mandado para o namorado, mas que por engano foi parar ao telemóvel da agressora. Paula, movida por ciúmes, engendrou um esquema e aproveitou-se do facto de habitualmente dar boleia à vítima para o local de trabalho, para se vingar. Combinou encontrar-se com a rival num café em Ourém, para depois se deslocarem para o emprego no concelho de Pombal, mas a dada altura da viagem, inventou que estava com dor de barriga e parou o carro numa estrada de terra batida, num pinhal, com a desculpa de que ia fazer as necessidades fisiológicas.
O cúmplice da arguida, que estava escondido no local, puxou a ofendida pelos braços para fora do carro e seguiram-se pelo menos duas horas de terror. Antes de ser agredida com o piripíri, foi obrigada a dar o código do telemóvel para que Paula consultasse as mensagens. O cúmplice, de seguida, atirou-a ao chão e colocou-lhe um pano na boca para a impedir de gritar, enquanto Paula puxou-lhe as calças e as cuecas, colocando-lhe o picante, o que lhe provocou dores, segundo sustentou o Ministério Público. Os dois agressores, ainda não satisfeitos, obrigaram a vítima a telefonar para o patrão a dizer que não voltava mais ao trabalho e que deveria entregar o salário que tinha a receber à arguida.
Paula ainda agrediu a rival na zona lombar com uma corda enquanto o cúmplice a agredia também com uma toalha molhada nas zonas lombar, abdominal e na cabeça. Antes de a transportarem de volta ao café de Ourém, a arguida cortou-lhe o cabelo e avisou-a de que se fizesse queixa a alguém que iria pagar por isso. No regresso, a vítima suplicou que a deixassem ir embora mas teve de se sujeitar a estar com os agressores durante uma hora, o tempo que demorou a viagem.

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