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Nené era mais do que o que se via

Edição de 08.02.2018 | Opinião

Nené não precisava fumar charuto para ser um Senhor da tauromaquia em Portugal. Fumava cigarros como o povo. Fumava muitos. Não se punha em bicos de pés, nem precisava, porque a sua maneira de estar conquistava simpatias. Falava com todos sem enaltecimentos exacerbados nem rebaixamentos desnecessários, fossem doutores ou analfabetos. Não frequentei a casa de Nené nem as tertúlias a que ele tanto gostava de ir para falar de toiros e tauromaquia. Mas sentia que o conhecia desde miúdo, talvez pela forma aberta e franca com que nos relacionávamos, infelizmente poucas vezes.
Quando soube da morte de António Manuel Cardoso, a primeira coisa de que me lembrei foi daquela vez em que ele meteu na cabeça que tinha de lhe tirar uma fotografia a verem-se, por trás, os cartazes de uma corrida que estava a promover. O problema é que os cartazes estavam numa parede de uma avenida de Alcochete, onde havia algum movimento de carros a uma velocidade considerável. Nada que intimidasse o homem que pegou muitos toiros de caras. Parou-se o trânsito, e no meio da avenida tiraram-se duas ou três fotos, que não dava para mais.
Outro dos episódios que não se esquecem, foi quando, após uma entrevista em 2013, me pede e ao chefe de redacção
de O MIRANTE, João Calhaz, para ir tirar umas fotos aos toiros que tinha escolhido para uma corrida. O ganadeiro estava a chegar ao Campo Pequeno para petiscar antes da corrida de toiros dessa noite de quinta-feira, mas o telefone do Nené fê-lo dar meia volta e ir ter connosco à ganadaria. Saímos da carrinha todo o terreno a uns metros dos toiros e com uns tremores nas pernas lá tirámos as fotografias. Só quando voltámos, de coração acelerado, aos bancos da viatura, é que reparámos que o empresário, à cautela, nunca tinha saído do lugar protegido.
Estas e outras histórias, que têm muito mais valor guardadas na memória, faziam de Nené um grande… grande em simplicidade, em amizade e consideração. Grande como ser humano, independentemente de se gostar ou não de tauromaquia.

António Palmeiro

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