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Cine-Teatro de Abrantes nas mãos de família tradicional em braço-de-ferro com a câmara
Cine-Teatro S. Pedro está fechado ao público

Cine-Teatro de Abrantes nas mãos de família tradicional em braço-de-ferro com a câmara

O MIRANTE sabe quais são as propostas do município que continua interessado em negociar espaço após recusa de três soluções. A principal sala de espetáculos do concelho encontra-se fechada desde a não renovação do contrato de comodato, que vigorava há 19 anos.

Edição de 08.02.2018 | Sociedade

O caso do Cine-Teatro S. Pedro em Abrantes, sobre o qual ninguém quer falar abertamente, tem a ver com um negócio que está a ser potenciado por uma família tradicional da cidade e que recentemente tomou conta da sociedade dona do imóvel. A família Bastos Carreiras, que desde Novembro último controla a gerência da Iniciativas de Abrantes, Limitada, não renovou o contrato de comodato com a autarquia, que vigorava há 19 anos, e não aceitou a proposta da autarquia de compra do imóvel por 270 mil euros. Um valor proposto não tendo em conta o valor patrimonial do edifício, mas uma avaliação a preços actuais mandada fazer pelo município, que continua interessada em negociar uma solução.
A câmara, além da compra do imóvel, que precisa de manutenção e algumas obras para o adequar às exigências actuais para salas de espectáculos, disponibilizou-se também para negociar um novo contrato de comodato ou o arrendamento do espaço, desde que a sociedade fizesse as obras necessárias. Nenhuma das hipóteses foi aceite. O município é o mais viável comprador do espaço, já que muito dificilmente alguém poderá estar interessado num edifício que em termos de Plano Director Municipal não pode acolher outro tipo de utilização.
Segundo os registos dos actos societários do Ministério da Justiça, em 16 de Novembro de 2017 é registada a cessação de funções de três membros dos órgãos sociais já falecidos há meio século: Manuel Proença Robalo Lisboa, Luís Almada Albuquerque do Amaral Cardoso e Manuel Luís Fernandes, fundadores do cine-teatro. No mesmo dia é registada a designação dos novos órgãos sociais, com os cargos de gerentes efectivos, que são José Luís Albuquerque Bobela Bastos Carreiras, João Pedro Albuquerque Bobela Bastos Carreiras e Maria Paula de Albuquerque Bobela Bastos Carreiras Villaverde.
A sociedade Iniciativas de Abrantes limita-se a dizer que quer arrendar ou vender o cine-teatro à Câmara de Abrantes ou a qualquer outra entidade que garanta respeitar o património arquitectónico e cultural que o imóvel representa. E no qual a autarquia investiu há duas décadas em obras de requalificação, com acesso a financiamento nacional e comunitário, no âmbito do contrato de comodato estabelecido. A presidente da câmara, Maria do Céu Albuquerque, apenas garante que existe interesse em manter as negociações.
A sociedade detentora do cine-teatro é herdeira de um grupo cívico que há 70 anos se mobilizou na melhoria das condições da cidade, tendo construído, além desta sala de espectáculos, o Colégio de Nossa Senhora de Fátima e a Casa de Saúde de Abrantes. O cine-teatro foi projectado pelo arquitecto Rui Jervis d’Athouguia, que integrou a equipa que desenhou a sede da Fundação Calouste Gulbenkian. O edifício foi construído pela já extinta Construtora Abrantina e inaugurado em 19 de Fevereiro de 1949, com uma lotação de 954 espectadores.

Cine-Teatro de Abrantes nas mãos de família tradicional em braço-de-ferro com a câmara

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