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Burocracia do Estado condena à ruína património histórico da Póvoa
Património da Póvoa de Santa Iria espera por autorizações do Governo

Burocracia do Estado condena à ruína património histórico da Póvoa

Município não consegue autorização para recuperar lapa e oratório quinhentista. Há 12 anos que a Câmara de Vila Franca de Xira anda a lutar para obter parecer favorável para recuperar património histórico da Quinta da Piedade, na Póvoa de Santa Iria, mas esbarra num mar de complicações criadas pela Direcção Geral do Património Cultural.

Edição de 14.02.2018 | Sociedade

A lapa do Senhor Morto e o oratório de São Jerónimo, dois dos mais importantes elementos patrimoniais da freguesia da Póvoa de Santa Iria e do concelho de Vila Franca de Xira, estão há décadas à espera de autorização para serem recuperados. Tudo porque a Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) tem recusado emitir pareceres favoráveis que permitam ao município intervir no local.
A burocracia tem sido tal que a cada ano que passa o município perde a esperança de poder vir a intervir. Há cerca de dois anos chegou a haver uma aprovação de princípio para os trabalhos poderem avançar mas depois, na prática, aquele organismo voltou a emitir parecer desfavorável final.
“Por vontade da câmara isto estava resolvido há 12 anos. Não está porque os pareceres da DGPC são impeditivos que a obra se realize”, lamentou António Oliveira, vice-presidente da câmara, na última reunião pública do executivo. “Dentro de algumas entidades temos azar com os pedidos, que vão sempre parar à mesma pessoa. Dos trabalhos de drenagem autorizaram mas da obra em si nada. É uma luta que cansa mas que havemos de fazer”, declarou o autarca, salientando ainda o facto de que, se a câmara intervir no local sem parecer favorável, incorre num crime de desobediência.
Do lado da CDU, também o vereador Mário Calado considerou o grau de degradação “inacreditável” desse património e vincou que é preciso “denunciar” o que está a acontecer. Além do “mau aspecto” geral daquele património, uma das casotas ali existentes está, para o autarca, num estado “miserável”. O MIRANTE contactou a DGPC mas não obteve qualquer resposta sobre este assunto.

Património com séculos
A lapa e o oratório estão situados dentro da Quinta Municipal da Piedade, um espaço gerido pela câmara. O oratório, edificado entre 1530 e 1540 para que o solitário camareiro-mor realizasse as suas preces, chegou a ser usado em algumas ocasiões por um sem-abrigo. O tapume colocado por cima do oratório também cedeu nos últimos anos devido à queda de uma árvore, deixando-o exposto à chuva. Em 1983 os azulejos do interior da nave foram furtados e em 1996 foi roubada uma pedra em forma de concha que sobrepujava o brasão do pórtico.
A lapa do Senhor Morto foi retirada há vários anos para sofrer um restauro. A peça escultórica recria o local e os momentos que antecedem o sepultamento de Jesus. Devido ao facto de a imagem não se encontrar no local há vários anos já são muito poucos os que se deslocam ao monumento para prestar culto à imagem.

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