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Médica de família diz-se insultada por utentes e recusa-se a trabalhar no Chouto 
Centro de Saúde do Chouto, na Chamusca, está sem médico

Médica de família diz-se insultada por utentes e recusa-se a trabalhar no Chouto 

Aldeia do concelho da Chamusca está há três semanas sem consultas. Coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca, Alzira Pereira, diz que no Chouto “é só selvagens”.

Edição de 14.02.2018 | Sociedade

A Extensão de Saúde do Chouto, no concelho da Chamusca, está sem médica de família há três semanas porque a profissional ali colocada recusa-se a trabalhar nessa unidade após ter sido insultada por alguns utentes. Na origem da situação está uma falha informática que tem motivado diversas reclamações. A coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca, Alzira Pereira, diz que a médica não vai ser substituída enquanto o sistema informático não estiver a funcionar correctamente.
A coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca explica que as sucessivas falhas informáticas não permitem que a médica tenha acesso ao histórico dos doentes. Quanto aos insultos a que a médica terá sido sujeita, Alzira Pereira não quis comentar, apenas confirmando que essa profissional de saúde já não irá mais ao Chouto. O MIRANTE ainda contactou o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Lezíria, mas até ao fecho da edição não conseguiu obter mais esclarecimentos sobre a situação.
O incidente ocorreu na manhã de sexta-feira, 19 de Janeiro, depois de vários populares se terem exaltado por não serem atendidos devido à falha no sistema informático. Custódia Duarte, 66 anos, foi uma das utentes que estava naquele dia na Extensão de Saúde do Chouto e não foi consultada. Conta que tudo começou depois da população decidir levantar a voz e reclamar. “As pessoas só queriam uma explicação que não foi dada”, refere Custódia Duarte.
A médica, entretanto, saiu do gabinete e dirigiu-se a uma administrativa que estava no atendimento. “Reparei, então, que ela estava a chorar, mas ninguém a agrediu como dizem por aí”, adianta Custódia Duarte. Entretanto, apareceu a coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca e o presidente da União de Freguesias da Parreira e Chouto, Bruno Oliveira, que tentaram apaziguar os ânimos sem sucesso.
Foi quando, conta, a coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca disse em voz alta “É só selvagens. Já conseguiram o que queriam. Acabaram-se os médicos aqui”. Agarrou na médica e levou-a. Depois o presidente da junta arranjou transporte para levar todos os utentes para a Extensão de Saúde da Parreira.
“Nós nunca falámos com a médica, só com a coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca e ela, sim, foi bastante arrogante connosco”, admite Marisa Pereira, 37 anos, outra residente no Chouto que também estava no posto médico. A moradora conta que foi com o objectivo de pedir receitas de insulina para a mãe. Foi quando viu a coordenadora do Centro de Saúde da Chamusca e questionou-a sobre o que devia fazer. “Ela só me disse para me desenrascar e se quisesse que fosse às urgências do Hospital de Santarém”, conta. Acabou por ir com a mãe ao Centro de Saúde da Chamusca, onde foi atendida.
Para Marisa Pereira, o Chouto está completamente votado ao esquecimento, de tal forma que diz não compreender por que razão o médico só ia à sexta-feira de manhã quando à Parreira ia três vezes por semana. “A minha mãe, por exemplo, reside aqui comigo e não tem nem controlo do diabetes e hipertensão nem quem lhe passe receitas de insulina”, conta, dizendo que ali só se safa quem vai a um médico privado.

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