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Recomeçar do zero em Singapura
Foto DR Joel Antunes regressa a Ourém uma vez por ano por altura do verão

Recomeçar do zero em Singapura

Joel Antunes, arquitecto de Ourém, foi um dos muitos jovens que nos últimos anos saíram do país em busca de novas oportunidades. Rumou ao sudeste asiático em Janeiro de 2016 e confessa que os primeiros tempos não foram fáceis.

Edição de 14.02.2018 | Tão longe e aqui tão perto

Joel Antunes trabalhava como arquitecto num atelier em Lisboa. O emprego parecia seguro até começar a sentir a crise no sector da construção civil. Despediu-se em Agosto de 2015 e decidiu começar a vida do zero noutro país. Enviou currículos para todo o lado até chegar uma oportunidade em Singapura, no sudeste asiático. Fez as malas e em Janeiro de 2016 embarcou sozinho na aventura.
“Nunca pensei que tivesse a coragem de me mudar para algo tão diferente e fora da minha zona de conforto mas consegui”, diz o jovem de Ourém, revelando que os primeiros tempos não foram fáceis. Dois dias depois de aterrar, e ainda a recuperar do ‘jet lag’, Joel Antunes verificou que o seu novo trabalho não era aquilo que esperava. Despediu-se passado três dias e ficou a viver das suas poupanças até arranjar outro emprego, o que aconteceu cerca de três meses depois. Trabalha actualmente num ateliê de arquitectura britânico. “Foram momentos dolorosos sobretudo porque decidi não contar nada à minha família e aos meus amigos sobre o que se estava a passar”, confessa o jovem de 29 anos.
Saudades da comida portuguesa
A adaptação a Singapura não foi fácil. Começou logo pelas temperaturas elevadas e constantes. Algo a que o jovem teve alguma dificuldade em se habituar de início. “Não foi fácil sobretudo porque aqui as temperaturas são sempre as mesmas e a humidade no ar é elevada, tanto de dia como de noite”, explica o arquitecto.
Outra diferença está na baixa altura média dos habitantes locais. Com uma média bastante inferior à de Portugal, o metro e noventa de Joel Antunes faz com que nunca passe despercebido, sobretudo nos autocarros e nos comboios. “Tenho de me baixar para entrar e sair e no interior dos meios de transporte”, explica.
Existem ainda diferenças nos hábitos do dia-a-dia. Enquanto em Portugal trabalha-se até às sete da tarde e depois vai-se para casa cozinhar o jantar todos os dias, em Singapura sai-se do emprego pelas seis da tarde e costuma-se jantar fora em “Hawker centres” onde as refeições ficam por menos de três euros. “Aqui saio mais cedo do trabalho mas como português que sou costumo ir para casa fazer o jantar”, adianta Joel Antunes, dizendo que prefere cozinhar pratos portugueses. É isso, aliás, que o faz matar as saudades do seu país. “Como só vou uma vez por ano a Portugal comer comida portuguesa faz-me sentir em casa”, admite o jovem de Ourém que regressa a casa habitualmente no Verão.

“Por cá arrisca-se mais do que em Portugal”
Joel Antunes admite que Singapura é dos países ideais para se exercer a profissão se se gostar de grandes cidades e de ultrapassar os limites. “Por cá arrisca-se mais que em Portugal”, confessa. Além disso, adianta, graças aos muitos ateliers de arquitectura estrangeiros que têm ali a sua sede, é possível ter-se acesso ao que se faz em todo o Mundo. “Neste momento, por exemplo, estou a trabalhar num projecto de uma torre residencial de 50 pisos a ser construída na Malásia”, conta.
Olhando para o futuro, Joel Antunes admite que, para já, irá manter-se em Singapura, mas confessa que se houver outra oportunidade melhor noutro país, não hesitará. Afinal, acredita, “o importante é viver tudo ao máximo, porque o resto logo se verá”.

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