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“Os políticos andam tão à vontade que até já fazem tudo sem protestos”

“Os políticos andam tão à vontade que até já fazem tudo sem protestos”

Alexandre Pires tem 46 anos e é secretário da Junta de Freguesia de Minde

Edição de 14.02.2018 | Três Dimensões

Alexandre Pires nasceu em S. Tomé e Príncipe. O pai, Pedro Pires, fixou-se em Minde quando ele tinha cinco anos e é lá que ainda vive. Trabalha na empresa espanhola ITEM, que comercializa artigos de decoração e utilidades para a casa. No carro tráz sempre um CD com música da Banda de Minde. Preocupa-o o facto de a maioria das pessoas não se interessar pelo que se passa na terra e no país.

O que mais me aflige é a falta de interesse da maioria das pessoas pelo que se passa. Estão alheadas do que se passa na sua terra e no país. E muito mais do que se passa no Mundo.

Os políticos andam tão à vontade que até já fazem tudo sem protestos. Qualquer dia quando as pessoas acordarem têm um regime que não conhecem. São cada vez mais os cidadãos que não ligam à política e que não participam na vida comunitária.

Eu apesar de não ter muito tempo aceitei ser secretário da Junta de Minde. Fi-lo por dedicação à comunidade. Quero ajudar a criar melhores condições de vida na minha terra.

Considero-me uma pessoa de bom trato. Crio empatia com facilidade. Uma das minhas principais qualidades é ser simpático e falar com todos. Penso que em Minde é assim que as pessoas me vêem.

Fui habituado desde criança a cumprimentar toda a gente. A minha avó e o meu avô ensinaram-me assim. Há muitas pessoas idosas que se lembram de eu ser assim em criança. Quando me encontram na rua dão-me grandes abraços.

Adoro viver em Minde e não consigo passar muito tempo longe. Como trabalho na área comercial acabo por estar fora algumas vezes e tento sempre que não seja por muito tempo. Agora ainda tenho mais vontade de voltar porque sou pai de uma menina com dezanove meses. Há pessoas que me dizem que querem é sair de Minde mas comigo é ao contrário. Mesmo quando vou passar férias estou sempre a contar os dias que faltam para voltar.

Sempre gostei da escola e respeitava os professores. Actualmente há pouco respeito nas escolas. Acho que a culpa é sobretudo dos adultos que não educam as crianças. Os mais novos precisam de regras e de saber que é preciso respeitar todos.

Depois da escola e de fazer os trabalhos de casa era brincadeira até anoitecer. E tive uma infância super feliz. Eu e os meus amigos corríamos Minde de fio a pavio. Eu conheço a mata como a palma da minha mão. Conheço cada recanto da serra. Tínhamos liberdade e conhecíamos tudo. Acho que éramos mais felizes dos que os miúdos são hoje.

Tenho um grupo de amigos desde os cinco anos. Estamos sempre presentes quando algum de nós precisa de ajuda, basta um telefonema. Não há perguntas, nem julgamentos, somos muito cúmplices.

Fiz a escola primária e os dois anos de telescola em Minde. Depois fui fazer o sétimo, oitavo e nono anos, na escola de Mira de Aire. O ensino secundário fi-lo no Centro de Estudos de Fátima. Nunca chumbei e até tinha boas notas mas não continuei os estudos.

Gosto de viajar e o ano passado fui à Jordânia. Foi uma viagem muito interessante pelo enquadramento histórico. A Jordânia é um país que vive em paz, apesar de estar numa região onde a guerra é permanente.

Gosto muito de bacalhau e de cozinhar pratos de bacalhau. Aprecio particularmente o bacalhau com natas feito pela minha mãe. Também gosto muito de um bom prato de carne de capado. Sou um cozinheiro de mão cheia e não me atrapalho nada na cozinha.

Comecei a minha vida de trabalhador na fábrica de têxteis do meu pai e do meu tio. Costumava trabalhar lá nas férias. Quando acabei o ensino secundário comecei a trabalhar lá a tempo inteiro. Actualmente a actividade fabril está muito facilitada , porque as máquinas fazem quase tudo. É só inserir os trabalhos no computador e deixar seguir. A mão- de-obra tradicional já não é tão necessária.

O que mais aprecio nas pessoas é a gratidão. Para mim as pessoas gratas são de grande valor. Tenho encontrado boas pessoas na vida mas também já encontrei muitas que não valem nada. Nesta altura de quem mais gosto na minha vida é da minha filha. Chama-se Maria Beatriz em homenagem à minha avó paterna que tinha o mesmo nome e que eu adorava.

“Os políticos andam tão à vontade que até já fazem tudo sem protestos”

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