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Política, cornos e muito sexo no Enterro do Galo em Alpiarça
Banda da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1º de Dezembro percorrem as ruas da vila durante o Enterro do Galo

Política, cornos e muito sexo no Enterro do Galo em Alpiarça

Edição de 21.02.2018 | Sociedade

O Enterro do Galo voltou a realizar-se em Alpiarça na noite de Quarta-Feira de Cinzas. Trajados a rigor com um lençol branco preso na cabeça os elementos da Banda da Sociedade Filarmónica Alpiarcense 1º Dezembro percorreram a principal rua da vila entre a sede da banda e o pavilhão d’ Os Águias de Alpiarça, onde foi lido o testamento do galo.
O Enterro do Galo em Alpiarça é uma tradição que remonta aos anos 30 do século passado. A AIDIA - Associação Independente para o Desenvolvimento Integrado de Alpiarça - retomou a tradição em 2014 depois de ter estado cerca de dez anos sem se realizar. O MIRANTE publica alguns dos versos do testamento do galo de Alpiarça.

Minhas senhoras e meus senhores
Isto agora é a doer
O Enterro vai começar
Vão as orelhas arder

Há uma menina em Alpiarça
Que anda muito no Sr. Doutor
Quando o marido lhe quer dar a pica
Diz-lhe sempre que tem uma dor

Ele chegou a dizer-me
Com uma grande aflição
Lá em casa nunca ralho
Quando ela me tira a tesão

Ai amigo se tu soubesses
A perigosa que ela é
Estavas atento ao fodilhão
Que te entra p’la chaminé

Ela sabe-a bem sabida
Não há bela sem senão
O marido acha-a uma querida
Ah pancona d’um cabrão

Eu disse aqui há um ano
Que os Correios não prestavam
O que disse é verdade
Eles pensam que nos enganavam

Os Correios são da gente
E a gente somos nós
Foram criados antigamente
No tempo dos nossos avós

Já que falámos em cornos
Achamos que a moda pegou
Porque o Governo ainda há pouco
A nova onda aproveitou

Vai daí com grande pressa
Criou sem outras demoras
Pra combater os incêndios
O batalhão de cabras sapadoras

Propomos por isso mesmo
Que se criem novos batalhões
Aproveitando sem demora
Uma multidão de grandes cabrões

Serão cabrões sapadores
No Estado com novas funções
Descobrir e acabar
Com os corruptos vendilhões

Fui PR’AÍ num belo dia
À posse da Assembleia Municipal
Esperava a festa da democracia
E encontrei um funeral

A raiva andava no ar
Era tudo muito frio
Como poderemos andar
A viver neste vazio?

O que deveria ser
Um encontro de vizinhos
Foi uma guerra surda de estranhos
Com diferentes caminhos

O líder da situação
Parecia que lia drogado
E quem leu na oposição
Parecia muito enervado

Foi mau de mais o que vi
Não iremos a nenhum lado
O orgulho não se ganha
Com cada lado zangado

Minha gente vou dar uma viva
E canto alto no meu poleiro
Alpiarça tem três obras novas
Que dão brado no mundo inteiro

Vivam as três obras sem jeito
Que dizem que o rei vai nu
Vivam os arquitectos e engenheiros
Que têm a imaginação no cu

A primeira obra é um aquário
Para lá porem salmões
Ou pode ser um aviário
Se não vierem os tubarões

A segunda é o jardim do Museu
Um dos nossos melhores museus
Com bancos pr’assar tomates
De todos menos os meus

A terceira é o jardim
Feito de pedra e cimento
Mais duas casas sem jeito
Aquilo é um desalento

Assim gastam o dinheiro
Que é suor do nosso povo
Para alimentar vaidades
E não trazer nada de novo.

Política, cornos e muito sexo no Enterro do Galo em Alpiarça

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