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“Quem luta nem sempre ganha mas quem não luta perde sempre”

“Quem luta nem sempre ganha mas quem não luta perde sempre”

Personalidade do Ano Desporto Feminino - União Desportiva e Recreativa da Zona Alta - Torres Novas

A União Desportiva e Recreativa da Zona Alta, de Torres Novas, é uma colectividade de bairro com projecção regional, e até nacional, graças a modalidades como o basquetebol feminino, a ginástica e o tiro com arco, entre outras. Está em sétimo lugar entre os clubes de ginástica com mais praticantes a nível nacional num universo de 228 clubes existentes.

Edição de 01.03.2018 | Especial Retrospectiva

Com a inauguração da nova sede e do polidesportivo, quais são os objectivos a alcançar?

João António (J.A.), presidente da direcção - Vamos continuar, agora com melhores condições, o nosso trabalho na formação dos jovens atletas e na sua preparação para que atinjam os melhores resultados. Ajudá-los a trilhar um caminho de sucesso, não só na prática desportiva mas também na vida pessoal.

Gonçalo André (G.A.) - director desportivo - Esta direcção está apostada também em tornar o clube totalmente autónomo em termos financeiros até 2019. Queremos ter as melhores condições de apoio para os nossos atletas e proporcionar estabilidade à Associação para que a comunidade possa usufruir em pleno de tudo o que foi conseguido.

Qual é a motivação para assumir um projecto deste tipo?

J.A. - Assumir desafios e ajudar a concretizar projectos é um lema que me acompanha. A comunidade da Zona Alta é como uma grande família. Contribuir para que as pessoas possam usufruir de melhores condições de convívio e divertirem-se com o desporto que agrega e dá saúde, é uma grande motivação. Depois, ajudar os jovens atletas a superarem-se, a ganharem hábitos de trabalho, de partilha com a sociedade é outra grande motivação que me agarra a este projecto muitas horas por ano. Procuro envolver a minha família para poder estar presente. O meu filho de três anos, está na ginástica e a minha esposa, médica, vem sempre que o trabalho permite.

G.A. - A motivação passa por ajudar a comunidade, as famílias e os jovens a superar dificuldades, a olhar para a sociedade como um todo e ajudar a alterar comportamentos. Vou contar o caso de um jovem que foi meu aluno: o Amorim, agora formado em Medicina e que sempre foi um aluno brilhante. Frequentava as aulas, treinava todos os dias e tinha uma vida social muito activa, ajudava sempre nas iniciativas promovidas pelo clube. Tinha excelentes resultados desportivos e em contexto de equipa era um elemento que procurava integrar sempre os colegas com algumas dificuldades de sociabilização. É este espírito de partilha e boa formação que queremos incutir nos jovens atletas que ajudamos a formar.

Claro que esse jovem tem qualidades. Como foi acompanhado?

G.A. - Os nossos treinadores são todos formados e exigimos profissionalismo, simpatia e cortesia. Os bons resultados desportivos conseguem-se com uma formação humana assente na sensibilidade, na partilha, na capacidade de ouvir e ajudar a ultrapassar dificuldades.

Quais são as modalidades que ainda querem ter?

J.A. - Já temos todas as modalidades que queríamos. Agora queremos estabilizar o número de atletas nos quinhentos e aumentar as condições para a prática desportiva cada vez com melhor qualidade.

G.A. - Na época 2016/2017 o clube conquistou quarenta títulos nacionais e cerca de setenta títulos distritais. Somos o sétimo clube do país na ginástica artística masculina, com duzentos e setenta praticantes. Temos um treinador a treinar intensivamente um atleta, o Diogo Soares, que está na Selecção Nacional de Ginástica artística masculina e temos muitos outros casos de sucesso desportivo. O Joel Catarino vai ao campeonato da Europa de juniores de ginástica e está preparado para conseguir um excelente resultado. O basquetebol é outra das modalidades com um caminho promissor no horizonte. Temos cerca de setenta e oito jovens que com doze anos já dão mostras de virem a obter excelentes resultados no futuro.

Quais são os conselhos que fazem questão de dar sempre aos jovens atletas em formação?

J.A. - Como fazemos essencialmente formação até aos dezoito anos procuramos incutir regras, hábitos de trabalho, respeito por tudo e por todos. Procuramos envolver as famílias, no sentido de perceber as dificuldades e podermos ajudar a superá-las. A perseverança, a superação, a resiliência aos problemas são máximas sempre presentes na nossa formação.

G.A. - Como coordenador desportivo procuro transmitir sempre o espírito de conquista por mais e melhor mas também me preocupa perceber porque é que os atletas não conseguem atingir os melhores resultados e algumas vezes pensam em desistir. Procuramos saber se há problemas económicos na família porque, apesar dos jovens pagarem uma mensalidade na ordem dos vinte euros por mês, por vezes há dificuldades que condicionam as famílias a suportar essa despesa. Nesses casos, tratamos a questão de forma discreta e permitimos que os jovens frequentem o clube e treinem de forma gratuita.

J.A. - Temos um lema na nossa associação que nos acompanha em todos os projectos “Quem luta nem sempre ganha mas quem não luta perde sempre”. Esta máxima serve para acompanhar a prática desportiva e incentivar os melhores resultados mas também tem de estar presente no dia-a-dia dos jovens em contexto escolar, familiar e social.

Quais os projectos para o futuro?

J.A. - Queremos continuar a apostar em conseguir as melhores condições para os nossos jovens treinarem e atingirem os melhores resultados. Precisamos de um praticável novo porque o número de atletas de ginástica que usam o actual é muito significativo e o equipamento está desgastado. Custa quarenta mil euros por isso ainda vamos tentar reunir essa verba para comprar um novo, garantindo melhor qualidade e segurança para a ginástica. Também queremos integrar a rede nacional de associações juvenis que abrirá portas para a realização de campos de férias e estágios para jovens estrangeiros.

Um clube de bairro com estatuto nacional

A União Desportiva e Recreativa da Zona Alta nasceu há trinta e nove anos no Bairro de Santo António, em Torres Novas, e foi conquistando espaço no contexto desportivo da região e do país.
Tem cerca de quinhentos e cinquenta sócios, mais de quatrocentos jovens atletas e dezanove treinadores, todos formados em desporto.
João António, professor de Educação Física, é o presidente da direcção, e Gonçalo André, também professor de Educação Física, é o director desportivo. Em 2017 a nova direcção assumiu o objectivo de até 2019 tornar o clube totalmente autónomo financeiramente.
O grande sonho da colectividade era ter uma sede que permitisse as melhores condições para o convívio e um polidesportivo que servisse praticantes de todas as idades. Esse objectivo está concretizado. A nova sede e o polidesportivo renovado foram inaugurados no dia 24 de Fevereiro depois de concretizada a obra que custou cerca de cento e quarenta mil euros.
João António e Gonçalo André dizem que querem deixar o seu cunho pessoal no clube como forma de um contributo à comunidade. Sublinham que a União Desportiva e Recreativa da Zona Alta é uma grande família, onde a confiança, o rigor de gestão e a aposta na superação das dificuldades fazem do clube de bairro um exemplo de cidadania.

“Quem luta nem sempre ganha mas quem não luta perde sempre”

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