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Jovens de Azambuja projectam futuro fora do concelho
Vinte e um jovens de Azambuja regressaram à Escola Secundária da vila para falar das suas experiências

Jovens de Azambuja projectam futuro fora do concelho

Escola Secundária da vila convidou ex-alunos a falar sobre as suas experiências no ensino superior, tendo ficado bem patente o desinteresse dos jovens em fazer vida no seu concelho.

Edição de 01.03.2018 | Sociedade

Vinte e um antigos alunos da Escola Secundária de Azambuja regressaram a esse estabelecimento de ensino para conversarem com alunos do 11º e 12º anos sobre as experiências de quem frequenta ou concluiu o ensino superior e no ar deixaram uma nota preocupante para quem se preocupa com o futuro do concelho de Azambuja: nenhum deles pensa regressar às origens para trabalhar e viver.
Os alunos convidados dividem-se por várias cursos superiores, que vão desde a enfermagem a audiovisual e multimédia passando pela Academia Militar. Uma das causas apontadas para não quererem regressar a Azambuja é a falta de oportunidades profissionais tendo em conta a área que escolheram. “Não é muito fácil arranjar um emprego aqui na zona, quanto mais se tivermos em conta aquilo que nós estamos a estudar”, explica Inês Marques, mestre em Engenharia Biomédica pela Universidade Nova de Lisboa.
Alguns reconheceram que conseguem encontrar oportunidades profissionais no concelho, como é o caso de Joana Graça, mestre em Teoria da Literatura na Faculdade de Letras. Contudo, desabafa que o concelho da Azambuja não lhe oferece a qualidade de vida suficiente que justifique estabelecer-se e desenvolver ali uma vida profissional e familiar. “Não me importava de vir todos os dias trabalhar aqui para o concelho, mas prefiro estar a viver em Lisboa”, disse a
O MIRANTE, contando com o aceno de todos os colegas a corroborar esta afirmação.
A grande maioria das queixas prende-se com a falta de actividade cultural direccionada para os jovens e o pouco aproveitamento por parte da autarquia das potencialidades naturais do concelho, como o rio Tejo, sobretudo para turismo ou desportos náuticos. “Temos o rio a cinco minutos daqui e não há lá um bar para estarmos com os amigos ao final da tarde”, atira Mariana Ribeira, mestre em Gestão de Recursos Humanos.

O deslumbramento por Lisboa
A proximidade geográfica e uma boa rede de transportes levou estes jovens a optarem por Lisboa para ingressar no ensino superior. Apesar de se mostrarem satisfeitos e reconhecerem algumas vantagens de viver em Azambuja e estudar num meio que consideram pequeno, na capital descobriram “um mundo novo”, bastante diferente da vila que conheceram até aos 18 anos, e que lhes despertou a consciência crítica para aquilo que antes não tinham e passaram a ter.
“Esta terra não tem quase nada. Em Lisboa saímos a qualquer hora do dia e há sempre uma data de coisas para fazer, temos coisas para ver, sejam obras, monumentos, teatros. Aqui há três cafés abertos de noite”, atirou Francisco Matos, mestrando em Engenharia Informática no Instituto Superior Técnico.
Madalena Tavares, directora da Escola Secundária da Azambuja, compreende o deslumbramento dos jovens depois de irem para Lisboa, advertindo que não é possível comparar a capital do país com uma pequena vila. Mostra-se solidária com algumas das críticas, nomeadamente com a falta de oferta cultural que tenta combater, lutando há algum tempo pela implementação de um cine-teatro.
Apesar de tudo, Madalena Tavares acaba por confidenciar que grande parte dos alunos acaba por regressar ao concelho, quanto mais não seja pela exigência financeira que viver em Lisboa acarreta quando se quer ser financeiramente independente dos pais. “Quando começam por procurar casas, percebem que os preços são demasiado altos e afastam-se mais de Lisboa, acabando mesmo por se vir fixar perto da família, onde têm todo o apoio”, concluiu.

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