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Mordaz Serafim das Neves

Edição de 08.03.2018 | E-mails do Outro Mundo


Em Abrantes anda muita gente em alvoroço por causa do popó de mais de cinquenta mil euros que a presidente da câmara decidiu comprar para se fazer transportar em serviço. É verdade que não é a senhora Maria do Céu Albuquerque que paga o tal Mercedes E350, embora eu acredite que, com o que a gente lhe paga para exercer o cargo, não lhe fosse difícil fazê-lo mas, caramba, não sejamos sovinas.
Para mim sempre é melhor gastar o dinheiro que pagamos em impostos (directos, indirectos e às três tabelas), numa bomba alemã como aquela, do que, como já aconteceu, nuns pedaços de aço cor de ferrugem, erguidos numa das rotundas da cidade, da autoria de um tal Charters de Almeida, a que alguns teimam, sabe-se lá porquê, em chamar artista plástico.
Eu sou contra o miserabilismo nacional que não aceita que os nossos impostos sirvam para proporcionar um transporte confortável, rápido e seguro a quem foi escolhido pelos eleitores para gerir as massas públicas. E não estou a falar de massas alimentícias.
Segundo li, a senhora presidente ficou muito zangada por haver alimárias que andam a espalhar a notícia da compra do popó aos quatro ventos, notícia que ela considera ter a classificação de segredo do Estado municipal.
E tem razões para isso, sim senhora, que esta rapaziada confunde liberdade de expressão com depravação ou bacalhau com grão. Mas, acho que não é caso para se amofinar. Se no concelho que ela governa, dos trinta e três mil eleitores inscritos, houve nove mil que votaram nela, isso significa que lhe foi dada carta branca para fazer o que ela achar que é melhor para o povo abrantino.
E se a dona Maria do Céu Albuquerque acha que o melhor para o povo são as obras do senhor Charters e dos designers e técnicos da Mercedes ninguém deve piar porque em democracia, quem perde amocha e... não pia, nem mia, como é sabido pelos verdadeiros democratas.
A única coisa que eu me atrevo a sugerir é que ela, assim que tiver o popó, faça uma digressão com ele pelo concelho para mostrar aos incréus que Abrantes é um concelho próspero e em acelerado crescimento económico onde nem sequer há desemprego porque há boas autoestradas que levam qualquer desempregado rapidamente para Lisboa, França ou Alemanha, onde o que não falta são empregos bem pagos.
Quem também pensa como ela é o seu antecessor na presidência da câmara e mentor político, Nelson Carvalho, que nos seus tempos de autarca de excelência levou o baseball para Abrantes e deu terrenos de borla a um senhor de chapéu à cóboi que sabia contar bonitas histórias, para mostrar que aquele era um concelho de fazer corar de inveja os invejosos americanos.
E o senhor Nelson Carvalho não se ficou por ali em matéria de generosidade com o dinheiro dos outros. Da câmara foi para uma instituição de solidariedade social chamada CRIA e vai de continuar a criar essa ideia de prosperidade gerindo-a como geria a câmara. Nada de mesquinhez. Nada de poupanças nem de sovinice. Tudo à vara larga. Mas, claro, como sempre, lá vieram os invejosos do costume, porque assim porque assado...e agora lá vai ele perder tempo a explicar aos fiscais da Segurança Social e ao Ministério Público coisas que eles já deviam saber há muito tempo. Enfim...
Assisti à entrega dos prémios Personalidade do Ano de O MIRANTE e detectei um erro de casting, como dizem os portugueses que seguem o novo acordo ortográfico. Como é que a administradora executiva da Águas de Santarém, Teresa Ferreira, uma pessoa que diz lamentar que “na gestão pública não seja possível implementar um verdadeiro sistema de avaliação de desempenho e sobretudo o sistema de remunerações variável em função do mérito e da prestação individual de cada um”, pode receber um prémio na área da Política? Valha-me Deus!! Qualquer pessoa sabe que, um bom político, mesmo que pense como ela, nunca, jamais em tempo algum o dirá. E muito menos numa sala com mais de quatrocentas pessoas.
Saudações avaliadoras
Manuel Serra d’Aire

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