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Mês do Sável em Vila Franca de Xira com pouco peixe do Tejo
Marco Guerra praticamente nasceu pescador

Mês do Sável em Vila Franca de Xira com pouco peixe do Tejo

Pescadores queixam-se que a poluição afasta algumas espécies que habitualmente povoam o rio e, por isso, não conseguem dar resposta à procura dos restaurantes.

Edição de 08.03.2018 | Economia

Em Março o sável é rei em Vila Franca de Xira. Espalhados por todo o concelho, 27 restaurantes servem um prato confeccionado com este peixe exclusivo desta época do ano. E já que o festival gastronómico “Março, Mês do Sável” homenageia uma tradição gastronómica e cultural que decorre da ancestral relação das pessoas desse concelho com o rio Tejo, O MIRANTE foi saber junto de quem ainda vive da pesca o que mudou nos últimos anos.
Marco Guerra, de 38 anos, praticamente nasceu pescador. Herdou o ofício dos avós e dos pais e afirma que lhe “corre no sangue a arte de pescar”. No que ao sável diz respeito, admite que “nos últimos anos o balanço tem sido negativo”. Marco queixa-se da poluição no rio Tejo que afasta o peixe. “O sável é um peixe que se sentir alguma poluição já não entra. Ele volta para o mar e procura água limpa noutro rio”, explica.
O pescador confidencia-nos que devido à poluição “houve uma altura em que quase não conseguia ganhar para comer”. Apesar de aparecer em pouca quantidade, o pescador natural de Vila Franca de Xira afirma que o sável do Tejo é o melhor de todos. “O nosso sável é o mais saboroso que há. É da cor da prata, maior e muito mais saboroso. É um peixe lindo”, concluiu.
Também Maria de Lurdes, de 65 anos, viveu sempre do que o rio lhe deu. A pescadora natural de Azambuja, também casada com um pescador, já não se lembra do último sável que pescou. “Aqui há muito pouco e a poluição do Tejo contribuiu para que esse pouco se reduza ainda mais”. Maria de Lurdes admite que o problema não está na procura dos restaurantes, porque se mantém igualmente alta, mas na falta de peixe no rio. “Os restaurantes continuam a querer comprar-nos sável. Só que nós não temos para vender. Eu no ano passado não fiz a safra e este ano também ainda não lancei as redes, porque não vale a pena”, garante.

Maria de Lurdes ainda não lançou as redes este ano

Nos restaurantes as opiniões dividem-se
O sável frito com açorda de ovas é o prato rei nos 27 restaurantes que aderiram à campanha promovida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. No restaurante Bica do Chinelo, gerido por Cila Monteiro, onde também se pode degustar sável com arroz de cabidela, só se come peixe do Tejo. “Tem de ter certificado porque caso contrário não compro. Gosto de funcionar com os peixes do Tejo e tenho orgulho disso”, afirmou a O MIRANTE a gestora e cozinheira.
Sobre a poluição no Tejo, admite que “influencia negativamente o negócio porque as pessoas ficam com receio de comer peixe poluído”. No entanto, Cila Monteiro opta por confeccionar pratos com peixe do rio que banha a região “porque ainda existem muitas pessoas que continuam a pedir peixe exclusivamente do Tejo”. Apesar de ter consciência que o rio está poluído, afirma que os clientes não têm nada a temer, pois faz exames semanais ao peixe que vende e caso exista alguma dúvida quanto a isso está sempre pronta a disponibilizar essas mesmas análises.
Mesmo ao lado da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira fica o Restaurante Churrasqueira A Canoa, com 44 anos de existência. José Maria, um dos gerentes, contou a O MIRANTE que não vai confeccionar pratos com peixe do Tejo. “Tenho comprado sável da Figueira da Foz. É um fornecedor que trabalha connosco há já alguns anos”. José Maria diz que não consegue prever se a poluição no Tejo lhe vai “afectar o negócio” e assegura que se os clientes duvidarem que não vende peixe do Tejo pode mostrar as facturas do seu fornecedor.

Mês do Sável em Vila Franca de Xira com pouco peixe do Tejo

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