uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante

O desprezo dos dirigentes médicos pelos médicos tarefeiros é injusto

Edição de 08.03.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Em Dezembro do ano passado ouvi a presidente do Conselho Regional do Sul (CRS) da Ordem dos Médicos falar depreciativamente dos médicos tarefeiros que trabalham nas urgências em geral e na urgência de Santarém em particular. Há dias ouvi a directora da Faculdade de Medicina do Porto dizer numa entrevista ao jornal Público, o seguinte: “Penso que nenhum de nós gostaria de ser atendido numa urgência por um médico indiferenciado. Eu não gostaria“. Aliás, esta não é a primeira vez que oiço um médico dizer uma coisa destas.
Como utente do Serviço Nacional de Saúde e porque, devido a problemas que tive fui assistido na urgência de Santarém por médicos tarefeiros, nomeadamente por um estrangeiro que tem prática de urgências em Portugal de cerca de duas décadas, lamento estas declarações de quem não quer que os médicos sejam obrigatoriamente colocados onde fazem falta e não onde podem ganhar mais e de quem não quer trabalhar nas urgências porque as horas extraordinárias são mal pagas.
Lamento ainda que, sendo os médicos tarefeiros obrigados a estar inscritos na Ordem dos Médicos, como todos os seus colegas que exercem em Portugal e a terem formação nos Hospitais do Serviço Nacional de Saúde durante pelo menos um ano, a seguir a fazerem as respectivas licenciaturas, para além de alguns serem sindicalizados, sejam tratados desta forma pelos seus pares, só pelo facto de o Estado português não ter encontrado solução para lhes dar formação numa qualquer especialidade.
Esses médicos asseguram as urgências em hospitais do interior a ganhar muito menos que os especialistas que aceitem fazer urgências. Sem eles as urgências fechariam. Era melhor ter esses médicos todos no desemprego? Os cursos que eles fizeram e a formação no Ano Comum, dada por especialistas, é assim tão má? Se sim, estamos conversados.
Fernando de Carvalho

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido