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Início atribulado do julgamento do homicídio do taxista do Entroncamento
Um dos arguidos desfaleceu na sala de audiências

Início atribulado do julgamento do homicídio do taxista do Entroncamento

Um dos arguidos cortou-se antes da audiência e desfaleceu no tribunal

Edição de 08.03.2018 | Sociedade

O julgamento dos dois presos preventivos acusados de matarem o taxista do Entroncamento, António Maria Pedro, 69 anos, em Maio do ano passado, começou de forma atribulada. Primeiro, quando estava para ser transportado para o Tribunal de Santarém, o arguido Américo Lopes teve de ser levado ao hospital pelos guardas prisionais por este ter autoinfligido cortes no corpo. O julgamento iniciou-se sem a presença dos arguidos, que haviam de chegar à sala de audiências quando as primeiras duas testemunhas já tinham prestado declarações. Quando estavam há cerca de meia hora no banco dos arguidos, por volta do meio-dia de sexta-feira, 2 de Março, Américo, que tinha visível uma ligadura na mão esquerda, começou a dar sinais de estar a sentir-se mal e desfaleceu.
A funcionária judicial ligou de imediato para o 112 a partir do telefone da sala de audiências e foi accionada uma ambulância do INEM colocada nos Bombeiros Municipais de Santarém. Américo foi transportado para as urgências do Hospital de Santarém, de onde teve alta ao final da tarde. O outro preso foi retirado da sala para a carrinha celular e transportado para o estabelecimento prisional.
Os dois homens suspeitos de terem assassinado um taxista do Entroncamento, que apareceu degolado num local ermo perto de Meia Via, no concelho de Torres Novas, em maio de 2017, começaram a ser julgados sexta-feira pelo Tribunal de Santarém.
Além da prática dos crimes de homicídio qualificado, profanação de cadáver e sequestro cometidos sobre o taxista, que apareceu degolado num local ermo perto de Meia Via, no concelho de Torres Novas, os dois homens, com 56 anos, são ainda acusados pelo Ministério Público de crimes de sequestro e roubo qualificado sobre duas mulheres. Um deles responde também pelo crime de abuso sexual de pessoa incapaz de resistência e o outro por extorsão na forma tentada. Os dois arguidos tinham sido detidos no início de Maio de 2017 numa pensão em Torres Novas.

Morte violenta e ataques contra três mulheres
A dupla, segundo a acusação, chamou um táxi pelas 18h00 do dia 1 de Maio para a morada da pensão. Um dos arguidos conhecia a vítima de negócios realizados há uns anos e por esta ter sido testemunha de acusação num processo em que fora julgado pelo Tribunal de Santarém. Quando entraram no táxi, um deles terá apontado uma faca à zona do abdómen do taxista, tendo este entregue 30 euros, o cartão de débito e dois cheques que tinha na sua posse e seguido, por ordem dos assaltantes, para a Golegã, onde foi obrigado a levantar 200 euros e a assinar e preencher os cheques no valor de 1.500 e 2.500 euros.
O Ministério Público refere que os dois arguidos, por recearem que o taxista os incriminasse, decidiram então matá-lo. Obrigaram António Maria Pedro a ir para o banco de trás do táxi, onde o amarraram, seguindo para o local ermo na Meia Via. Chegados ao local, tiraram a vítima para fora do carro, amarraram-lhe uma meia de vidro à volta do pescoço da vítima, e em seguida espetaram-lhe uma facada na zona do coração e outra na garganta, arrastando depois o corpo para um local mais escondido. O táxi foi abandonado junto à Santa da Ladeira, em Torres Novas. O perito que fez a autópsia disse em julgamento que se tratou de uma situação de “violência complexa”.
Os outros crimes envolveram três mulheres, uma delas uma advogada de Almeirim que foi roubada e ameaçada a 19 de Abril por um dos arguidos. Depois de combinar um encontro sob o pretexto de precisar dos seus serviços, levou-a para um local ermo junto a Tancos, onde, alegando que havia sido contratado para a matar por 25.000 euros, tentou extorquir-lhe três mil euros, roubando-lhe o dinheiro e os cartões de crédito que tinha consigo.
Outra vítima foi abordada na noite de 27 de Abril no estacionamento do Hospital de Torres Novas. Foi obrigada pelos dois arguidos a vários levantamentos em caixas de multibanco e a estacionar depois num local ermo junto a Atalaia, onde lhe deram três comprimidos que a deixaram a dormir profundamente. Foi quando a vítima se encontrava inconsciente que um dos arguidos praticou a violação, segundo afirma a acusação. Os dois são ainda acusados do crime de furto qualificado na forma tentada contra outra mulher, no dia 29 de Abril, no estacionamento de um hipermercado em Torres Novas, que só não foi concretizado porque a vítima tinha as portas da viatura trancadas e conseguiu fugir no carro.

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