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Professores de Vialonga sem meios multimédia para dar aulas
Pais continuam a manter os filhos numa escola que não tem as melhores condições

Professores de Vialonga sem meios multimédia para dar aulas

Recuperar escolas do Ministério da Educação no concelho custa mais de 30 milhões. Na Escola Básica dos 2º e 3º ciclos de Vialonga está a ser mais um Inverno difícil para professores e alunos. O estabelecimento de ensino está cada vez mais degradado e a afundar-se no ranking das escolas do país, onde está perto do último lugar.

Edição de 08.03.2018 | Sociedade

Há professores que, em algumas disciplinas, estão a abdicar de dar aulas sobre algumas matérias porque não têm material multimédia nas salas de aula da Escola Básica dos 2º e 3º ciclos de Vialonga, concelho de Vila Franca de Xira. A maioria acaba por ter de recorrer à imaginação e às vezes a trazer material de casa – como tablets ou computadores portáteis – para que os alunos possam aprender a matéria.
O problema foi confirmado esta semana a O MIRANTE por dois professores daquele estabelecimento de ensino e também na última assembleia municipal o eleito João Milheiro, da CDU, denunciou o caso. “De há dez anos para cá, data em que foi anunciada a requalificação da escola, que nada se fez. Continuamos com a mesma escola, com telhados de fibrocimento e amianto, com falta de climatização e frio nas salas de aulas e há professores que já se negam a dar aulas porque têm os conteúdos programados em multimédia e não têm meios para os dar”, alertou.
A escola de Vialonga tem vindo a descer nos rankings nacionais das escolas e ocupa já o lugar 1010. Desceu face ao ano anterior, onde ocupava o 961º lugar, entre 1209 escolas do ensino básico do país. “Os professores dizem que as condições que a escola oferece não dão para fazer um trabalho melhor. Há salas insuficientes, horários mistos e a escola está a atingir o limite dos limites”, criticou o eleito, que considera que o protocolo assinado antes das eleições entre a câmara e o Ministério da Educação para permitir o avanço das obras foi “eleitoralista” e um “vazio de nada”.
O presidente do município, Alberto Mesquita (PS), continua a defender que o acordo assinado é válido e permite dar um futuro à escola de Vialonga. “Pela primeira vez temos um documento que nos pode orientar e ajudar a resolver o problema. Há um programa funcional que tem de ser aprovado pela Direcção Geral dos estabelecimentos Escolares”, explicou. O acordo prevê que a câmara seja responsável pela elaboração do projecto de arquitectura e pelos projectos de especialidade, que Mesquita diz “já não ser coisa pouca”. “Nós vamos fazer o que nos compete e vamos insistir muito para que aquele acordo seja cumprido por parte do ministério”, vincou o autarca.

Arranjar as escolas do concelho custa milhões

As únicas escolas do concelho de Vila Franca de Xira que estão em mau estado e precisam de obras são da responsabilidade do Ministério da Educação e estão nessa situação praticamente todas as secundárias e as básicas. Alberto Mesquita (PS), presidente da câmara, estima que sejam precisos 30 milhões de euros para reparar todo o parque escolar que foi sendo deixado esquecido ao longo dos anos pelo Estado.
“Há escolas no nosso concelho que foram absolutamente abandonadas e onde não foi feito um investimento de um cêntimo para as recuperar. Se houver transferência de competências nesta área da educação para o município estaremos aqui perante um encargo de milhões de euros para requalificar as escolas. E essa matéria temos de analisar bem”, vincou.

Bolsa de auxiliares para colmatar falhas

Na sequência do recente protesto na Secundária do Forte da Casa por falta de auxiliares, o presidente do município defende a criação futura de uma “bolsa” de trabalhadores em rotatividade para assegurar que nenhuma escola fique sem auxiliares de acção educativa. “Em termos de rácio essa escola tem praticamente os rácios de pessoal adequados. No entanto, devido à função de grande desgaste há muitas pessoas de baixa médica e isso é que causa as maiores dificuldades. O que vai acontecer é que provavelmente quando o resto da descentralização de competências passar para a câmara teremos de ter uma bolsa de 100 pessoas para fazer esta rotatividade entre as escolas”, defendeu Alberto Mesquita.
Caso avance a descentralização, o município pode vir a ter de incluir nos seus quadros perto de 600 novas pessoas que estão afectas ao funcionamento dos estabelecimentos de ensino do concelho.

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