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Transportes públicos em Vila Franca de Xira são mais problema que solução
Responsáveis da AML foram a Vila Franca falar de transportes

Transportes públicos em Vila Franca de Xira são mais problema que solução

Horários desajustados e mau estado do material circulante são as principais queixas. Município, que há muito se debate com problemas nos serviços de transporte público, fez um ponto de situação do problema com os secretários da Área Metropolitana de Lisboa, que ouviram um puxão de orelhas dos autarcas.

Edição de 15.03.2018 | Sociedade

Horários que não correspondem às necessidades e desfasados entre os diversos operadores, falta de abrangência do passe social L123 e material circulante rodoviário e ferroviário em mau estado. É assim que estão a funcionar os transportes públicos no concelho de Vila Franca de Xira.
A análise foi feita numa assembleia municipal extraordinária em que se fez o ponto de situação da descentralização dos serviços públicos de transporte com dois responsáveis da Área Metropolitana de Lisboa (AML). A sessão foi dura para aqueles responsáveis, que tiveram de ouvir dos eleitos municipais o que a maioria da população pensa sobre a qualidade dos serviços prestados.
“A estação da Castanheira nem sequer tem transporte público que a sirva, excepto os táxis quando algum taxista se lembra de lá ir. Assistimos a grandes debilidades na articulação do transporte ferroviário com o automóvel. Há défice de cobertura da rede de transportes em algumas zonas da AML cuja oferta não se adapta às necessidades de mobilidade da população. O elevado número de títulos de transporte encarece as viagens e muitos abrigos rodoviários estão degradados”, lamentou António Martins, do CDS.
Também Rui Rei, da Coligação Mais, liderada pelo PSD, lamentou que a câmara tivesse delegado na AML o planeamento da rede de transportes. “O que esperamos é que resolvam os problemas de transportes, há 40 anos que ouvimos os mesmos problemas. Nas Cachoeiras, 130 euros por pessoa não chegam para pagar o passe para ir trabalhar para Lisboa. Em alguns casos é mais barato ter carro do que ir de transporte. É preciso rever o que fazer com as sete mil tarifas que existem na AML. Se no futuro se for fazer o que há hoje mais vale ficarmos quietos”, atirou.
A maioria dos autarcas foi unânime nas opiniões. Carlos Braga, da CDU, que é também um dos responsáveis do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos, acusou a actual solução organizativa dos transportes de ter vindo a agravar os problemas aos utentes. “Vivemos com o custo dos bilhetes, dificuldades de acessos, falta de qualidade do material circulante, desconformidade entre horários dos vários tipos de transporte que tem causado problemas enormíssimos. Em VFX há uma descoordenação muito grande entre o transporte rodoviário e ferroviário. Urge melhorar todas estas situações”, apelou.
Adélia Gominho, do Partido Pessoas Animais e Natureza defendeu a necessidade de no futuro se melhorar as acessibilidades aos transportes, quer para as pessoas de mais idade como também para quem tem mobilidade reduzida “e ainda precisa de ligar com 48 horas de antecedência para a CP sempre que precisa de uma rampa para viajar”.
O presidente da assembleia, Fernando Paulo Ferreira, e o presidente da câmara, Alberto Mesquita, ambos socialistas, defenderam que o concelho deve ser abrangido pelo passe social e que deve ser criada uma coroa única na AML que agregue todos os transportes.

Criar passe social custa 100 milhões

Carlos Humberto, primeiro secretário da AML, admitiu que os transportes “são o maior problema da AML” e que é preciso “encontrar uma rede de transportes e mobilidade” que sirva as pessoas. Para isso defendeu a criação de um passe único para toda a AML mas notou que isso é “um desafio imenso”, por causa do financiamento que exige. “Os transportes colectivos são muito caros, precisam de preço mais razoável e a bilhética precisa de ser mais simples. Não pode haver 7 mil tipos de bilhetes na AML. Se calhar 100 milhões de euros não chega para criar esse passe social”, afirmou.
O responsável informou também que está em curso a preparação de um concurso público internacional que vai permitir definir qual a rede, como ela se financiará, como vai funcionar e de que forma, para entrar em funcionamento a 2 de Dezembro de 2019. “Sempre em articulação com os municípios estamos a procurar um acordo generalizado e a definir o desenho da futura rede. Estamos a reunir com cada um dos 18 municípios para saber o que cada um defende, para depois definirmos uma rede integrada, única, que seja intermunicipal”, explicou.

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