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Abalizado Manuel Serra d’Aire

Edição de 29.03.2018 | Emails do Outro Mundo

O Governo esteve mobilizado no fim-de-semana de enxadas, roçadoras e gadanhas nas unhas a posar para os jornalistas em acções de limpeza de matas para português eleitor ver. Inicialmente deu-me vontade de rir mas depressa passei para um estado neurótico-depressivo, pois ver um ministro ou um secretário de Estado com uma sachola nas mãos deprime-me e constrange-me. São cartas fora do baralho e ninguém devia ser obrigado àquilo. É uma cena tão estranha como me imaginar a pilotar uma nave espacial, para além de que a questão da floresta e dos incêndios devia impor algum recato e vergonha na cara, coisa que, como se sabe, não abunda entre a classe política e os cérebros que congeminam estas campanhas.
Pelo Ribatejo, os ministros passaram por Abrantes, Constância e Alcanena, por mera coincidência três concelhos socialistas, e eu passei desde sábado a temer pelo futuro desses concelhos no próximo Verão. Ainda me recordo bem de outra acção de show-off que o actual primeiro-ministro, o ministro da Agricultura e outros altos responsáveis fizeram ao concelho de Mação há dois anos e depois foi o que foi.
Aliás, se eu fosse presidente da Câmara de Mação proibia os governantes de pisarem aquele território para todo o sempre. É que no Verão passado, dias antes de ocorrer o primeiro grande incêndio nesse concelho, tinha lá estado o secretário de Estado da Indústria a deixar rasgados elogios à política de ordenamento florestal que ali tinha sido implementada. Conclusão: nos dois meses seguintes quase a totalidade da floresta do concelho tinha sido reduzida a cinzas. E o tal secretário de Estado deixou de o ser meia dúzia de dias depois de ter estado em Mação por causa de uma bronca qualquer. Se isto não é mau agoiro, vou ali e já venho…
Mudando para um assunto mais ligeiro. O grau de civilização de um povo afere-se pela forma como trata os seus animais. E dando de barato que está certa tão eloquente sentença, então é caso para dizer que os portugueses em geral e os ribatejanos em particular são um povo do mais civilizado, polido e urbano que existe, pois trata os seus bichos como ninguém, nomeadamente os seus cães.
Não sei se já reparaste, mas alguns cães agora usam camisolas, casacos e gabardines no Inverno para protegerem o pelo das adversidades climáticas. Só faltam as galochas, mas lá chegaremos... Não sei se os zelosos donos trajam os seus animais com medo que eles se constipem ou se é apenas para os mesmos estarem apresentáveis caso haja um jantar a dois num restaurante dos que aderiu à nova legislação.
Seja como for, é com ternura, embevecimento até, que olho para estes avanços civilizacionais, com a esperança de que um dia os animais tenham direito a voto e que consigam explicar às bestas dos seus donos que as ruas e os jardins das nossas cidades ficam melhor sem o estrume canino que os pobres quadrúpedes ainda não conseguem apanhar.
Saudações pascais do Serafim das Neves e não abuses das amêndoas

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