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Corpo de emigrante retido há dois meses na Guiné devido a burocracias e peripécias
Hélder Gomes faleceu a 12 de Fevereiro - foto DR

Corpo de emigrante retido há dois meses na Guiné devido a burocracias e peripécias

Caixão de manobrador de máquinas de Rio Maior já foi duas vezes para o aeroporto

Edição de 29.03.2018 | Sociedade

O corpo de Hélder Gomes, de Asseisseira, Rio Maior, está desde que morreu, a 12 de Fevereiro, retido na Guiné-Bissau, onde o emigrante estava a trabalhar há cinco anos, devido a burocracias e peripécias quase anedóticas, não fosse a situação dramática. Há mais de um mês que a família do manobrador de máquinas está a tentar trasladar o corpo e o funeral em Portugal já chegou a estar marcado, mas quando a agência funerária foi ao aeroporto de Lisboa na data para recolher o caixão, este não tinha chegado e não havia grandes explicações, que surgiram posteriormente e que tinham a ver com a falta de autorização para transporte do corpo e a falta de máquina de Raio X no aeroporto guineense.
Nas dezenas de contactos que tem feito nas últimas três semanas com os serviços consulares e organismos governamentais portugueses a família ficou a saber que quando o corpo foi a primeira vez para o aeroporto da Guiné para ser trasladado a companhia aérea, que ia fazer o serviço, não tinha certificação para fazer este tipo de transporte. Na altura o caixão foi selado a chumbo. Na segunda tentativa de embarcar o cadáver colocou-se o problema do controlo de segurança que exige que o caixão seja radiografado para se garantir que não transporta algo ilegal escondido. Como não existe aparelho o corpo tem de ser levado para o aeroporto de Dakar (Senegal), onde existe máquina para fazer essa verificação.
A entidade patronal de Hélder Gomes já pagou cerca de 6400 euros para que o corpo seja transportado para Portugal, mas com a exigência de passar por Dakar o valor é agora mais elevado, chegando a cerca de nove mil euros no total, e a família não tem os dois mil e quinhentos euros de diferença. Já foi pedida ajuda à Câmara de Rio Maior que tem estado em contacto frequente com a Secretaria de Estado das Comunidades. A presidente do município, Isaura Morais, reconhece que a família do falecido é de poucas posses económicas e está disposta a ajudar, desde que a secretaria de Estado também colabore.
Marta Gomes, filha do falecido, já recorreu à Presidência da República portuguesa para tentar desbloquear a situação e está quase a desistir por já não aguentar mais o cansaço psicológico. “Estamos no jogo do empurra e não temos resposta. Se o Estado português não consegue fazer nada há três semanas como é que nós vamos conseguir”, questiona. Grávida de sete meses, Marta refere que existe a hipótese do Governo português fretar um avião para trazer o corpo ou então mandar uma aeronave da Força Aérea fazer o transporte mas até agora não há nada de concreto.
Hélder Gomes faria 52 anos no dia 1 de Abril. Sofreu um acidente quando seguia na caixa de carga de uma carrinha todo-o-terreno e caiu, batendo com a cabeça no chão. Esteve internado num hospital guineense e teve alta hospitalar. Ficou hospedado num hotel perto do hospital, segundo conta a família, para o caso de ser necessária assistência rápida. E foi nesse quarto que acabou por falecer quando se sentiu mal. O manobrador de máquinas tem quatro filhos com 23, 25 e 30 anos e a mais nova com 12 anos. O MIRANTE contactou via e-mail a embaixada e os serviços consulares de Portugal na Guiné mas até ao fecho desta edição não foi remetida qualquer informação.

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