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Começou a correr no Cartaxo e quer ir longe no atletismo nacional
Foto DR - Miguel Mascarenhas

Começou a correr no Cartaxo e quer ir longe no atletismo nacional

Miguel Mascarenhas sagrou-se campeão de Portugal dos 1500 metros em pista coberta. Iniciou-se na modalidade na sua terra natal mas entretanto foi contratado pelo Benfica.

Edição de 05.04.2018 | Desporto

Praticou natação, ciclismo, futebol mas é no atletismo que se tem destacado Miguel Mascarenhas, um jovem natural do Cartaxo. O atleta de 19 anos começou na sua terra natal orientado pelo campeão Rui Silva e pela sua esposa, Susana Silva, e quando começou a dar nas vistas foi recrutado pelo SL Benfica, clube pelo qual se sagrou em Fevereiro campeão dos 1500 metros em pista coberta no Campeonato de Portugal realizado em Pombal.
Miguel lembra-se bem do dia em que calçou pela primeira vez umas sapatilhas. “Foi na Corrida da Liberdade, no Cartaxo, quando tinha oito anos. Ia correr com o meu avô e a minha mãe e não parava quieto. Parecia que já estava no sangue”, admite o cartaxense. Entretanto, o bicho pegou e começou a participar todos os anos na corrida que decorre no dia 25 de Abril. “Comecei a participar e a ganhar aos outros miúdos até que o presidente de um antigo clube do Cartaxo veio ter comigo e com o meu avô e incentivou-me a ir para o atletismo e lá aceitei”, adianta.
Começou a praticar atletismo em paralelo com o ciclismo no Clube de Ciclismo José Maria Nicolau. Depois dedicou-se apenas ao ciclismo até que decidiu largar definitivamente as bicicletas para praticar apenas atletismo. “A culpa foi do atleta Rui Silva e da sua esposa, Susana Silva, que me acompanham até aos dias de hoje”, admite.

Os segredos de um bom atleta
Os pais nunca deixaram de o apoiar e de estar presentes nas provas sempre que podem. A treinar todos os dias entre uma hora e meia a duas horas, Miguel Mascarenhas confessa que não arranjou namoradas por praticar atletismo mas foi esta modalidade que lhe deu uma lição de vida. “Aprendi a ouvir mais quem é mais experiente e sabe, a cuidar mais do que como e, sobretudo, a não baixar os braços quando aparecem as dificuldades. É esse o segredo de um bom atleta”, revela o jovem que de vez em quando corta com a dieta e come uma fatia de pizza ou um hambúrguer. “São os poucos dias em que me posso desforrar”, ri-se.
E se fazer uma alimentação equilibrada e saudável já faz parte do dia-a-dia, também as quedas e lesões vão fazendo parte da sua rotina. E já vêm de quando praticava ciclismo. “Sempre ouvi dizer que ciclista que é ciclista cai sempre e cai algumas vezes mas nunca me vou esquecer na vez que participei na Volta à Portugal de Cadetes e fui contra uma parede em plena descida. Dessa vez fiquei com um buraco num braço e numa perna”, conta.
Humilde, amigo do seu amigo e teimoso, Miguel Mascarenhas confessa que até há quatro anos não ligava muito à escola, de tal forma que os seus pais ralhavam e mandavam-no ir estudar. Ainda assim, havia uma disciplina em que desde sempre se evidenciou: a educação física. Hoje, a frequentar o curso profissional de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva, na Escola Maria Amália Vaz Carvalho, em Lisboa, o jovem admite não ser fácil conciliar os estudos com a prática desportiva mas acredita que se estiver atento às aulas é mais fácil pois não é necessário estudar-se tanto. “É assim que tiro boas notas”, confessa.

Um aficionado pela gastronomia ribatejana

Apaixonado pela sua terra natal e pelas suas tradições quando não tem provas ou treinos importantes o Cartaxo é o seu destino. “É que só na minha terra natal posso saborear os pratos do Ribatejo que tanto adoro”, adianta. Mas não é só a gastronomia que o traz de volta à terra. Também a paixão pela tauromaquia, que herdou do seu pai, que foi um grande forcado, o levam a marcar sempre presença nas garraiadas nas festas da cidade. “Antigamente ainda arriscava mas ultimamente só tenho assistido porque não quero lesionar-me e ficar com a minha carreira afectada”, revela.
Para Miguel Mascarenhas, o Cartaxo tem crescido mas a nível do desporto tem vindo a ficar para trás. A culpa, defende, é da falta de investimento por parte da autarquia. Era por aí que começava se fosse presidente da câmara. “Não cortava as pernas aos jovens do Cartaxo que queiram praticar desporto”, adianta o jovem, dizendo que uma das primeiras medidas que tomaria era passar a ser gratuito o uso da pista de atletismo. É que, afirma, “o atletismo ainda é visto como um desporto fantasma e não devia de ser assim, pois o futebol não é tudo. Mas, felizmente, vem aí uma juventude de grande talento onde o Sport Lisboa Benfica tem apostado fortemente”.

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