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Inimitável Serafim das Neves

Edição de 05.04.2018 | Emails do Outro Mundo


Nos últimos dois meses esteve a decorrer ali para os lados de Mação, no Penhascoso, uma época especial da caça à vaca brava. Infelizmente não foram afixados os editais da praxe em pelo menos três montras do comércio tradicional e por isso os únicos sortudos que sabiam da coisa eram elementos da GNR. E aquilo rendeu. Oh se rendeu. Limparam o sebo a mais de quarenta, pelo que li.
Inicialmente a manada bravia era para ser capturada com recurso a chamariz de erva tenra mas como aquilo estava a dar muito trabalho, porque as vacas eram espertalhonas e preferiam comer couves e grelos das hortas locais, avançou a artilharia.
Não tive notícia do destino dado às peças de caça grossa que tanto costeletão, maminha e bife do lombo devem ter dado mas calculo que, como a operação meteu veterinário e tudo, tenha havido belos churrascos por aquelas bandas.
Quem não tugiu nem mugiu foram os amigos dos animais e isso deixa-me intrigado. Será que só se interessam por cães, gatos e toiros de lide? E as vacas bravas como as do Penhascoso? Não merecem uma manifestação? Nem sequer uma gritaria valente nas redes sociais?
E onde está o respeito pela igualdade de género? O Bloco de Esquerda não diz nada sobre esta pouca vergonha? Quarenta e tal vacas abatidas e nem um único toiro? Espero que em breve seja aprovada uma lei a fixar uma quota de machos a abater pela GNR, em futuros casos de gado bravo tresmalhado.
Os telefones fixos dos Bombeiros do Entroncamento estiveram desligados durante o fimde-semana da Páscoa. Morreram na Sexta-Feira Santa e ressuscitaram no domingo. Não sei se foi milagre ou fenómeno mas pelo menos foi um descanso para o telefonista. E dali também não veio mal ao mundo. Quando há emergências ninguém anda pela casa à procura do número dos bombeiros porque basta ligar o 112. Telefonar para os números fixos dos bombeiros só mesmo quando alguém quer contratar um transporte para ir a uma consulta e nos fins-de-semana e feriados não há consultas, nem TAC’s, nem fisioterapia.
No ano passado os trabalhadores da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira deram mais de duas mil faltas por acidentes de trabalho. O caso não seria muito grave se não se desse a coincidência da maioria dos acidentes de trabalho não terem ocorrido no local de trabalho propriamente dito mas no caminho de casa para o trabalho.
Eu fiquei a matutar no assunto. Se é tão perigoso ir de casa para o trabalho não seria melhor os funcionários ficarem em casa? Acho que o presidente da câmara vai ter que fazer alguma coisa. E eu sei do que falo. Sei eu e sabes tu que também sofres de vertigens e desequilíbrios quando se aproxima a hora de ir vergar a mola.
Claro que a juntar aos dias perdidos por acidentes de trabalho, também há as faltas por doença, as faltas por assistência à família e aquelas que toda a gente dá duas ou três vezes em cada ano para ir ao funeral daquela avó que nunca pára de morrer mesmo que já tenha sido enterrada umas vinte ou trinta vezes.
Há uns bons dez anos assisti numa aldeia de Tomar, chamada Cem Soldos, a um ritual de Domingo de Páscoa chamado a Matança dos Judeus. No final da missa os rapazes pegavam nas cruzes feitas de canas e enfeitadas com flores que tinham levado consigo e batiam com elas numa laje exterior com grande violência até as escavacarem por completo.
Este ano lembrei-me disso e fui ver um jornal daquele concelho para saber se a tradição ainda se mantinha. Fiquei desolado. Agora as canas enfeitadas não são partidas mas classificadas por um júri da junta de freguesia que atribui prémios em dinheiro às mais bonitas. E pelo que li todos os concorrentes recebem pacotinhos de amêndoas.
Ou seja, já não há matança dos Judeus, nem canas rachadas, por causa do politicamente correcto. Isto vai de mal a pior Serafim. Acabaram com os piropos, acabaram com a matança dos Judeus, acabaram com os croquetes e as chamuças nos bares dos hospitais e escolas, querem vender pão sem sal e bicas sem açúcar, obrigam-nos a chamar gays aos homossexuais e espetadores aos espectadores e sabe-se lá o que mais andam a tramar.
Saudações iconoclásticas
Manuel Serra d’Aire

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