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Perda de população do interior é o problema mais grave com que o país se confronta
Conferência promovida pelo Movimento pelo Interior realizou-se em Mação

Perda de população do interior é o problema mais grave com que o país se confronta

Presidente da Câmara de Mação e NERSANT reclamaram medidas corajosas para combater desertificação durante uma conferência, em Mação, que abordou essa temática e onde se ouviram diversas propostas.

Edição de 12.04.2018 | Economia

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela (PSD), considera que a perda crescente de população no interior do país “é provavelmente o problema mais grave que o país tem para enfrentar nos próximos anos” e diz que se não forem tomadas medidas de fundo um vasto território nacional vai ficar deserto.
“Temos todos de ficar bem cientes de que caminhamos de forma dramática e assustadora para esse tempo”, sublinhou o autarca, acrescentando que “este é um desígnio que não depende da vontade política deste presidente, do outro e daquele presidente… Todos, enquanto nação, enquanto país, temos de perceber que todos devemos dar o nosso contributo para alterar este estado de coisas”, afirmou Vasco Estrela na terceira conferência promovida pelo Movimento pelo Interior - Novos Desafios, que decorreu no Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, no dia 6 de Abril.
O autarca adiantou que “qualquer decisão que venha a ser tomada, custa dinheiro, implica recursos e implica uma coisa que faz parte do dia-a-dia na política, decisões e coragem. Veremos se os nossos políticos têm essa coragem”. E Vasco Estrela deixou mesmo algumas propostas, como “isenção efectiva do IRC para as empresas”, “minoração do IRS para os cidadãos aqui viverem”, “redução dos custos relacionados com a saúde, quer em taxas moderadoras, quer nos medicamentos”, “apoios efectivos para as refeições escolares das famílias aqui residentes”, “incentivos à contratação de cidadãos destes municípios através da baixa da Taxa Social Única (TSU), para que as empresas se possam fixar e possam contratar pessoas” ou o “reforço das parcerias das Universidades e dos Institutos Politécnicos com as empresas locais, para acrescentar valor àquilo que aqui é produzido”.
Salomé Rafael, presidente da NERSANT – Associação Empresarial de Santarém, destacou que a falta de investimento em empresas produtivas tem levado à falta de emprego e defendeu que é necessário ter em conta a diminuição “dos custos de contexto para atrair empresas” e “atrair pessoas para o interior”. A responsável defendeu a “redução nas portagens” e “isenção do IRC para as empresas”, e a criação de “condições para as empresas terem uma razão para não ficarem no litoral e se fixarem no interior e criar emprego”.
Para Salomé Rafael, essas medidas passam também por criar parcerias entre autarquias, empresas, instituições de ensino, e outros parceiros, defendendo ainda que deverá ser criada “uma plataforma regional que una diferentes actores conhecedores do território” em nome do progresso do mesmo.

Medidas radicais para equilibrar o país

Álvaro Amaro, presidente da Câmara da Guarda e um dos fundadores do Movimento pelo Interior, adiantou na sua intervenção que o movimento aposta na estimulação de “medidas radicais” que possam trazer “gradualmente o equilíbrio ao país”, contornando o fenómeno da centralização no litoral e valorizando o território do interior.
O autarca da Guarda disse ter esperança que o estado das coisas se venha a alterar, referindo que apesar de não existirem “soluções mágicas” o interior “não é um território condenado”, pois “continua a ter homens e mulheres, são é cada vez menos e nós queremos que sejam cada vez mais”.
Luís Braga da Cruz, ex-ministro de Economia defendeu que “as questões do interior são questões de emprego, independentemente de ser em mundo rural”, destacou o responsável, defendendo o regresso da “política integrada de base territorial”, onde se pode “ir muito longe e alguns problemas podem ser bem resolvidos”.

Perda de população do interior é o problema mais grave com que o país se confronta

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