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Todos os momentos são oportunos para relembrar o fim da ditadura

Edição de 19.04.2018 | O MIRANTE dos Leitores

Eu tinha dezoito anos em Abril de 1974 e fiquei feliz por saber que aquele golpe de Estado iria acabar com a guerra colonial. Na altura o Serviço Militar era obrigatório, o que não era nenhum drama se não fosse o facto de quase todos os jovens incorporados terem que cumprir um período de ano e meio na guerra de Angola, Moçambique ou Guiné. Eu, tal como a maioria dos jovens de então, não queria ir à guerra e os militares que fizeram o 25 de Abril fizeram que isso não tivesse acontecido.
Na altura não ligava à política mas acompanhava o que se passava lá e sentia que estávamos atrasados em todos os aspectos em relação à maioria dos países europeus. Éramos pobres, o analfabetismo era enorme e em termos culturais não se passava nada, nem entrava aqui nada que não agradasse ao regime de então. Também sentia a pressão social e política de não podermos expressar os nossos pensamentos sob pena de sermos repreendidos, criticados e prejudicados a vários níveis. Soube depois que os jornais eram censurados e que só noticiavam o que o regime permitia. Não havia liberdade e isso eu percebia claramente.
Com a adesão da maioria da população ao golpe de Estado geraram-se condições para fazer uma revolução e o país foi virado do avesso. Os partidos políticos foram autorizados; passou a haver eleições democráticas; deixou de haver censura; aderimos à União Europeia; permitimos a independência das colónias; houve progresso. E tudo o que foi feito fomos todos que o fizemos. O mau e o bom. O pior e o melhor.
Por vezes lembro-me da miséria e do sufoco que vivi até aos meus dezoito anos e de como tudo mudou com o 25 de Abril de 1974. Nesta altura do ano, em que se celebra o aniversário desse fantástico acontecimento sinto-me grato a todos os que executaram a deposição do anterior regime, desde o mais conhecido ao mais desconhecido. E se sinto algum desencanto com muitas coisas que se passam tento ser realista e penso que agora, quarenta e quatro anos depois, não precisamos de usar tanques e armas para mudar as coisas mas apenas a nossa inteligência, vontade, criatividade e bom senso. Viva o 25 de Abril!
João Manuel Lupo Pardal

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