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Inércia de várias entidades deixa mouchão da Póvoa quase irrecuperável
Desde o último Verão que o mouchão se tem afundado ainda mais - foto DR

Inércia de várias entidades deixa mouchão da Póvoa quase irrecuperável

Obras urgentes prometidas pelo Ministério do Ambiente estão por arrancar há um ano. Presidente da Câmara de Vila Franca de Xira não poupa nas críticas.

Edição de 19.04.2018 | Sociedade

Já passou praticamente um ano desde que o Ministério do Ambiente anunciou a necessidade de realizar obras “urgentes” de contenção do dique para impedir que o mouchão da Póvoa, uma importante reserva natural da Póvoa de Santa Iria, fosse submerso pelas águas do Tejo. As obras, que a tutela dizia aos deputados estarem prontas até Outubro último, e depois até Fevereiro deste ano, ainda nem sequer começaram. O mouchão está hoje praticamente submerso, engolido pelo caudal elevado provocado pelas recentes chuvas fortes e as descargas das barragens. Está a afundar-se desde Maio de 2016, data em que o rombo num dos diques de contenção foi descoberto.
Vários ambientalistas já vieram admitir que a ilha, situada na Reserva Natural do Estuário do Tejo, pode estar perdida mesmo depois das obras prometidas pelo governo. O concurso público está ainda a aguardar visto do Tribunal de Contas. Empreitada que vai ser paga pelo Fundo Ambiental e que se estima poder vir a rondar o meio milhão de euros.
Na última sessão da Assembleia Municipal de Vila Franca de Xira, realizada na última semana, o assunto foi tema de discussão por iniciativa de António Martins, da bancada do CDS-PP, que expressou a sua preocupação sobre o tema e lembrou a necessidade das obras avançarem. Na sessão foi também aprovada uma moção sobre o assunto. Alberto Mesquita (PS), presidente do município vilafranquense, não escondeu a sua consternação pelo estado em que a ilha se encontra e lamentou a inércia das diferentes entidades perante o problema.
“Da boca do Ministro do Ambiente o que ele refere é que a obra não avançou ainda porque está à espera que o Tribunal de Contas emita o seu parecer. Pelos vistos o parecer ainda não apareceu e o que vou fazer é junto do ministério tentar perceber o que se passa, porque urge resolver aquela questão. Houve aqui uma inércia que foi fatal desde o início deste processo. A mim pouco me importa se o mouchão é privado ou público, importa é resolver esta matéria”, criticou.
O autarca já por diferentes ocasiões lembrou que se tivesse sido permitido à câmara intervir de emergência no local logo que o rombo foi conhecido, em Maio de 2016, talvez o problema não tivesse “sido tão grave”. Em vez disso, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) terá alegadamente solicitado a colaboração da Polícia Marítima para impedir que quaisquer trabalhos não autorizados de contenção fossem ali realizados. Os autarcas locais condenaram a medida e em Junho de 2017 a CDU defendeu um procedimento criminal contra a APA pela forma como o assunto foi tratado.

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