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Os homens envergonham-se de serem vítimas de violência doméstica
Sargento Patrícia Fernandes participou em debate sobre violência

Os homens envergonham-se de serem vítimas de violência doméstica

Patrícia Fernandes, que comanda a GNR de Alcanena, diz que os casos de violência doméstica devem ser denunciados e que quem conhece situações desse tipo deve ter coragem para ser testemunha.

Edição de 19.04.2018 | Sociedade

A comandante do Posto da GNR de Alcanena, Patrícia Fernandes, revelou que já teve um caso de um homem vítima de violência doméstica que se recusou a falar com ela por ser mulher. “Pediu para falar com o meu colega, pois não se sentiu à vontade comigo por eu ser mulher”, contou a sargento, que entendeu a situação pelo facto de estar perante um caso de um homem agredido pela mulher.
Na conferência “Equipas Municipais de Intervenção na Violência – Constrangimentos e Desafios”, no âmbito do 9º Fórum de Recursos Sociais de Alcanena, que decorreu no dia 11 de Abril, Patrícia Fernandes apresentou os números da violência doméstica no concelho de Alcanena desde 2014.
A comandante adiantou que 77% dos crimes são contra um cônjuge, mas também existe um elevado número de casos de violência contra idosos (25%). Quanto à violência infantil esta representa apenas 3% dos processos. Entre os menores sinalizados a maioria tem idade entre os cinco e os dez anos.
Patrícia Fernandes destacou que muitas vezes se espera das forças de segurança a resolução dos problemas de violência doméstica. “Sendo um crime público, para haver processo é necessário pelo menos uma testemunha”, ressalva a militar da GNR, acrescentando que muitas vezes isso não acontece porque as pessoas não querem testemunhar.
A idade média do agressor e da vítima é entre os 35 e os 44 anos, sendo que têm aumentado as vítimas com idade superior a 65 anos. A violência física é a mais visível mas também há casos de violência psicológica e assédio moral.
A comandante da GNR de Alcanena adiantou que o facto de ser a única mulher no posto não lhe causa qualquer constrangimento. Disse também que a violência dos casos com que muitas vezes se confronta já não a afectam particularmente, porque teve de criar defesas que lhe permitem lidar com as situações de forma objectiva. “A violência doméstica deve ser denunciada porque é um crime público. E as pessoas devem ter coragem para assumir ser testemunhas”, concluiu.

Os homens envergonham-se de serem vítimas de violência doméstica

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