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Na associação de Trancoso quem manda são elas
Lugares mais importantes da direcção estão nas mãos de Virgínia Moreira, Neuza Nunes e Vânia Nunes

Na associação de Trancoso quem manda são elas

Clube Recreativo e Desportivo da pequena aldeia do concelho de Vila Franca de Xira tem três mulheres a liderar a direcção. Colectividade está bem dotada de infraestruturas mas faltam jovens para lhes dar uso.

Edição de 26.04.2018 | Desporto

Dos 17 dirigentes do Clube Recreativo e Desportivo de Trancoso (CRDT), no concelho de Vila Franca de Xira, apenas quatro são mulheres, mas três delas ocupam os lugares mais importantes da direcção. Virgínia Moreira, a presidente da associação, conta a
O MIRANTE que a escolha foi dos homens e que não foi nada planeado. Aos 50 anos, esta auxiliar de acção educativa prepara-se para assumir o segundo mandato na presidência da direcção, desta vez acompanhada por mais duas colegas: Neuza Nunes, vice-presidente com 23 anos e a dirigente mais jovem do clube, e Vânia Nunes, secretária. Os pais de todas estiveram na construção da colectividade, pelo que todas sentem o Clube de Trancoso como se fosse uma segunda casa.
A decisão, explicam, partiu de Orlando Sousa, presidente da assembleia-geral, que achou que o clube estava a precisar de liderança feminina. “As mulheres conseguem lidar melhor com situações mais problemáticas e são bastante mais organizadas”, afirma.
Nos 42 anos de existência, o CRDT sempre contou com mulheres na direcção, mas por norma ocupavam sempre um cargo de secretariado. O paradigma mudou em 2009 com a eleição de Vânia Nunes, uma dentista que considera uma consequência natural já que “as mulheres aqui da aldeia começaram a ter uma formação académica”. E garante que “nunca houve qualquer tipo de falta de respeito” para com elas.

Não há jovens para dar uso às infraestruturas
As dirigentes acreditam que o ambiente familiar como a associação é vivida, em que todos se conhecem desde a infância, também ajuda a uma boa convivência e facilitou a entrada da nova direcção. Ainda assim não é uma tarefa fácil a que espera a equipa liderada por Virgínia Moreira. Com 42 anos de existência, o Clube Recreativo e Desportivo de Trancoso atravessa uma fase complicada. Apesar de estar dotado de infraestruturas consideradas como “do melhor que há no concelho”, com apenas 350 sócios a grande maioria idosa, o clube não tem massa associativa para fazer o pleno usufruto das instalações.
A grande parte dos jovens aproveita as ofertas habitacionais do concelho vizinho de Arruda dos Vinhos e deixa a aldeia onde cresceu. No novo piso do pavilhão, inaugurado em 2016, já não jogam as equipas federadas do clube, uma vez que não existem jovens suficientes. “Não há miúdos suficientes na aldeia e mesmo antes tínhamos que os ir buscar de carrinha a casa para ter uma equipa, agora é impossível”, explica Virgínia Moreira.
Considerado por muitos como um “passo maior que a perna”, a nova direcção garante que esta era uma infraestrutura necessária e mais do que um problema, o novo pavilhão é “algo que permite ao clube ter um futuro”.
Voltar a ter uma equipa federada, composta por jogadores da terra, “está fora de questão”, desabafam. Pelo que a solução passa por alugar o espaço a outras equipas para que este seja rentabilizado. “O que vamos tentar fazer é utilizar parcerias para que as equipas que utilizem o nosso espaço passem a usar o nosso nome nas competições”, explica Neuza Nunes.

Na associação de Trancoso quem manda são elas

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