uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
31 anos do jornal o Mirante

Fulgurante Manuel Serra d’Aire 

Edição de 26.04.2018 | Emails do Outro Mundo

Estou a pensar aderir à moda das hortas urbanas que tem assolado esta região. Só quem não sentiu uma enxada nas unhas é que não sabe que cavar uma leira de terra faz melhor ao físico e à mente do que muitas horas de ginásio, com a vantagem acrescida de se poupar nas batatas, couves, feijão, cenouras e por aí fora.
É por isso natural que tenha rejubilado com a novidade que me deste de que essa selva de betão que dá pelo nome de Entroncamento também vai ter as suas hortas urbanas. Estou já a imaginar as enxadas, sacholas e ancinhos a esgotarem nas lojas de ferragens e nas grandes superfícies devido à procura entusiasmada dos moradores. Porque apesar da globalização e do cosmopolitismo actuais, o português continua a ser um povo rústico e apegado à matriz da ruralidade.
A zona onde moro, por exemplo, embora seja um bairro de prédios e vivendas onde vive muita gente com ares de sofisticada e armada ao pingarelho, ao final da tarde parece uma aldeia transmontana ou beirã, com tanta canzoada esganiçada a ladrar aos caminhantes. Só falta mesmo a capela com o seu inestimável relógio a dar badaladas de quarto em quarto de hora para o pessoal saber a quantas anda. Ali vive gente que, apesar dos seus bólides topo de gama, das suas roupas de marca, das unhas de gel e dos penteados da última moda, não conseguem eliminar o bárbaro rústico que há neles e erradicar os usos e costumes de outros tempos, como os de deixarem os seus animaizinhos de estimação andarem à solta onde bem lhes apetece, largando bosta por tudo o que é jardim e passeio. Um dia destes, estou convencido, ainda vou ver criar porcos em marquises...
Os Bombeiros de Constância voltaram a ameaçar parar a sua vasta frota de ambulâncias para transporte de doentes caso o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) não pagasse mais uma parte da dívida. Os números que envolvem esse negócio (sim, é um negócio e não é pequeno!) são esmagadores. Diz o CHMT que só este ano já pagou quase 400 mil euros à corporação pelo transporte de doentes que está concessionado a essa corporação. É realmente muita massa!!!
Pelo que ouvi dizer, os Bombeiros de Constância têm uma frota de mais de 20 ambulâncias para transporte de doentes num dos concelhos menos populosos do país. O que dá qualquer coisa como uma ambulância por cada 200 habitantes. Duvido que haja no mundo um rácio semelhante de ambulâncias per capita, o que devia aliás figurar com todo o mérito no Guiness Book. E Constância devia mudar o cognome de Vila Poema para Capital da Ambulância.
Retumbante Manel passou-se mais um 25 de Abril e as celebrações começam a ficar anquilosadas como as comemorações do 5 de Outubro que me lembro de ver na minha infância e que hoje praticamente já não existem. Tal como nas manifestações do 1º de Maio já se vêem mais reformados do que trabalhadores no activo, nas celebrações do 25 de Abril já quase não há gente com pulmão para cantar o Grândola, Vila Morena do princípio ao fim. O que é mau sinal, também porque indica que estamos a ficar velhos...

Saudações revolucionárias do
Serafim das Neves

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...