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A Apneia é um problema de saúde pública. Saiba como!

A Apneia é um problema de saúde pública. Saiba como!

Edição de 03.05.2018 | Especial Saúde

O que é o Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono?

O Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono – SAOS – é um distúrbio respiratório grave que se carateriza por paragens respiratórias durante o sono - apneias - estas paragens podem ter uma duração variável e repetir-se diversas vezes durante a noite.

A Apneia do Sono é um importante problema de saúde pública, com uma elevada prevalência, mas frequentemente pouco valorizado.

Como se realiza o Diagnóstico?

Em muitos casos, o doente não tem conhecimento dos episódios de apneia e são os familiares que se apercebem dos sinais, especialmente durante a noite.

Por esta razão, a família do doente tem um papel fundamental na deteção de eventuais sinais e sintomas desta patologia, como por exemplo: o ressonar intenso, movimentos corporais frequentes e paragens respiratórias.

Note-se que nem todas as pessoas que ressonam ou têm sintomas semelhantes aos descritos sofrem de Apneia Obstrutiva do Sono, existem outros distúrbios e doenças que podem causar sonolência diurna e sono de má qualidade.

Deverá ser sempre o médico especialista a diagnosticar esta patologia.

Como se manifesta a Apneia do Sono?

O primeiro e mais comum sinal de apneia do sono é habitualmente observado pelos familiares do doente: o ressonar. Quem observa o doente enquanto dorme, refere frequentemente que “não tem um ressonar normal” e que por vezes, após um período de silêncio, em que parece não respirar, o doente volta a respirar de modo ofegante, após um ronco mais intenso.

A sonolência diurna excessiva devido à má qualidade do sono é outro dos sintomas frequentemente associado a esta doença. Compromete a capacidade intelectual e desempenho das atividades diárias, eleva o risco de acidentes de viação e de trabalho. Estima-se que a sonolência diurna excessiva seja responsável por 10-30% de todos os acidentes de viação e represente a principal causa de acidentes fatais. No entanto, é necessário ter em atenção que este sintoma pode não estar presente até fases avançadas da doença – tornando, nestes casos, a manifestação da doença silenciosa.

Outros sintomas frequentemente associados a esta doença são: episódios abruptos de despertar noturno com falta de ar e palpitação cardíaca, dores de cabeça de predomínio matinal, insónia, sono fragmentado e sensação de sono não reparador, sendo recorrente o doente referir que acorda mais cansado do que quando se deita. Esta má qualidade do sono produz, ainda, outros sintomas, tais como: défice de atenção, dificuldade de concentração, presença de irritação, ansiedade e impaciência durante o dia, bem como alterações de memória. No sexo masculino, a Apneia Obstrutiva do Sono encontra-se associada a impotência sexual.

É possível prevenir a Apneia Obstrutiva do Sono?

Sim. Partilhamos algumas medidas importantes:

Adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e exercício físico, é essencial para minimizar o risco. Sabemos como o excesso de peso constitui um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de Apneia Obstrutiva do Sono.

Também os fumadores devem fazer um esforço adicional para a cessação tabágica, uma vez que este hábito agrava consideravelmente a doença.

De igual modo, é recomendada moderação na ingestão de bebidas alcoólicas, que em excesso interferem no ciclo do sono e no relaxamento da musculatura da garganta, transformando-se num gatilho para a Apneia.

Quem é mais propenso a desenvolver a Apneia Obstrutiva do Sono?

Qualquer pessoa pode apresentar apneia do sono, até mesmo as crianças. Os fatores de risco variam de acordo com o tipo da doença, mas pelo menos duas características são comuns: ser do sexo masculino e ter mais de 50 anos de idade. Os homens, em geral, são duas vezes mais propensos a desenvolver a doença do que as mulheres. No entanto, estas têm o seu risco aumentado se apresentarem excesso de peso ou se encontrarem no período pós menopausa.

Qual a importância da Apneia do Sono na Cardiologia?

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal e na Europa, por essa razão mantêm-se no topo das prioridades no que se refere ao planeamento em Saúde.

A Apneia Obstrutiva do Sono apresenta diversas consequências do ponto de vista social, sendo um importante fator de risco cardiovascular, daí a importância do diagnóstico precoce em cardiologia.

As doenças cardiovasculares são, assim, complicações comuns e potencialmente fatais da apneia do sono não tratada. A hipertensão arterial resistente aos medicamentos, a doença coronária, o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca, as arritmias (muitas vezes noturnas) e o acidente vascular cerebral ocorrem com maior frequência nos doentes com Apneia do Sono.

O tratamento eficaz da Apneia do Sono reduz significativamente o risco de desenvolvimento das doenças cardiovasculares, diminuindo a morbilidade e mortalidade associadas. De realçar, que o controlo dos outros fatores de risco cardiovasculares, como o tabagismo, o colesterol elevado, a diabetes, a obesidade e o sedentarismo é fundamental.

O tratamento da Apneia Obstrutiva do Sono

A escolha do tipo de tratamento adequado para a Apneia Obstrutiva do Sono depende de vários fatores, entre os mais relevantes: a gravidade da doença, traduzida pelo número e duração das paragens respiratórias, as características morfológicas do doente, a presença de outras doenças concomitantes e, dentro do possível, a preferência do doente.

O CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) é um equipamento médico que mantem abertas as vias aéreas superiores, evitando a Apneia. O tratamento com CPAP é, atualmente, a forma mais comum de tratamento para os doentes com o diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono moderada ou grave e deve ser utilizado conforme indicação médica todas as noites sem interrupções.

O DAM (Dispositivo de Avanço Mandibular) é um dispositivo médico intra-oral aplicável no tratamento da apneia do sono ligeira e na roncopatia. Este dispositivo permite uma maior passagem de ar através das vias aéreas durante o sono. É um dispositivo feito à medida de cada doente, de menores dimensões, mais cómodo, de fácil transporte, ajuste e confeção, constituindo uma alternativa válida, mas apenas nos doentes selecionados e por indicação médica.

O DAM requer indicação prévia por parte de um médico pneumologista que encaminhará posteriormente o doente para a Medicina Dentária a fim de ser conseguido um acompanhamento multidisciplinar e mais adequado a cada caso.

Cada caso um tratamento eficaz. Melhore a sua qualidade de vida!

A articulação e o trabalho multidisciplinar entre as equipas de Pneumologia, Cardiologia e Medicina Dentária são decisivos na prevenção, diagnóstico e tratamento adequado desta patologia, bem como no acompanhamento futuro do doente.

A abordagem atempada da Apneia Obstrutiva do Sono permite prevenir os possíveis eventos cardiovasculares e a redução das capacidades cognitivas, podendo ainda resolver problemas de foro familiar. O doente que anteriormente ressonava vai agradecer poder voltar para a cama do casal e, assim, melhorar muitos aspetos da sua qualidade de vida. O tratamento da Apneia requer um grande compromisso do doente e elevada empatia por parte do médico.

A Apneia é um problema de saúde pública. Saiba como!

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