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A audição no idoso
António Pinto Correia

A audição no idoso

Edição de 03.05.2018 | Especial Saúde

A melhoria das condições de vida e dos cuidados de saúde alcançados no nosso país nas últimas décadas tem-se traduzido por um aumento da esperança média de vida dos portugueses e que actualmente já se situa acima dos oitenta anos.
Contudo, a este aumento não tem correspondido igual ganho na qualidade de vida do idoso pelo que se pode afirmar que vivemos mais mas a verdade é que após a reforma os anos para usufruto desta com saúde andam em Portugal em média entre cinco e sete anos.
Faz parte do processo natural de envelhecimento a degradação da audição, processo que se inicia na idade adulta, se torna mais evidente normalmente a partir dos 60 /65 anos e que se considera ser o início da 3ª idade.
A agravar o processo natural de perda auditiva pela idade, estão as “agressões” ao longo da vida activa: stress, produtos tóxicos, hábitos alimentares, exposição crónica ao ruído elevado entre outras que agravam a saúde em geral e contribuem para uma mais precoce degradação da função auditiva.
Esta perda auditiva que em medicina tem o nome de Presbiacusia vai sendo lenta e progressiva levando a uma adaptação do próprio indivíduo que muitas vezes não tem percepção do seu deficit auditivo.
Por norma são os familiares e amigos quem primeiro notam a perda auditiva que se traduz no início o não perceber o que lhe é dito, e no pedido frequente para repetir ou para por a televisão mais alta.
A maior dificuldade reside na compreensão da voz humana uma vez que a perda auditiva se inicia e é mais acentuada nas frequências mais agudas correspondentes aos sons da voz humana.
É esta a razão que leva estes doentes a dizer que ouvem bem mas não percebem.
À medida que se vai dando o envelhecimento a perda auditiva vai aumentando, lentamente, com repercussões cada vez maoires na qualidade de vida.
De referir ainda que o processo de envelhecimento não atinge só o ouvido pelo que a nível do sistema nervoso central as alterações degenerativas levam a uma maior dificuldade no processamento da discriminação dos sons a nível central.
Salientar que a evolução é muito variada, umas vezes precoce, outras mais tardia, ocasionalmente rápida, outras mais lenta, o que faz com que encontremos surdez severa em pessoas relativamente jovens e idosos na chamada quarta idade (acima dos 80 anos) com audição razoável.

Atitude terapêutica
A presbiacusia como parte normal do envelhecimento não tem tratamento curativo.
Contudo, podemos e devemos sempre intervir a nível dos factores gerais de saúde, que contribuam para um envelhecimento mais saudável e de que se salienta a melhoria da actividade física; a correcção dos hábitos alimentares; terapêuticas medicamentosas que possam controlar doenças como a hipertensão arterial, a diabetes e os valores das gorduras no sangue (colesterol e triglicerídeos).
A melhoria da audição apenas é possível com recurso ao uso de próteses auditivas.
Para que a reabilitação auditiva seja mais eficaz, deve ter início numa fase relativamente precoce da doença (melhor preservação da memória auditiva) e ser feita por audiologistas com formação específica após avaliação em consulta de Otorrinolaringologia.
*Médico Otorrinolaringologista

A audição no idoso

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