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Anúncios de sexo nos jornais substituíram debate, em Santarém, sobre a prostituição

Anúncios de sexo nos jornais substituíram debate, em Santarém, sobre a prostituição

Sexo, proxenetas, anúncios de cariz sexual. Foram estes os temas para uma conversa maioritariamente masculina, num debate e palestra sobre prostituição que decorreu no Fórum Mário Viegas, em Santarém.

Edição de 03.05.2018 | Sociedade

“Os anúncios de sexo nos jornais são do mais ordinário que pode haver”, considera João Madeira Lopes, advogado em Santarém e um dos presentes na palestra “Vamos falar sobre prostituição” que decorreu no Fórum Mário Viegas, em Santarém, e que tinha como oradora convidada Sandra Benfica, do Movimento Democrático das Mulheres.
João Madeira Lopes, também ex-autarca da CDU no concelho, apontou o dedo aos jornais que se vão aproveitando desse negócio para obter lucro. É assim, diz, “que muitas redacções ainda estão de pé”. A mesma opinião é partilhada por Carlos Cruz. Para o professor aposentado, os jornais deviam ter outra postura nesse campo. “Eles deviam formar e não promover a prostituição”, refere.
João Madeira Lopes e Carlos Cruz afirmaram que nunca entraram numa casa de alterne nem sentiram necessidade de estar com uma prostituta, mas conhecem quem já o tenha feito em busca de prazer. “Há muitos homens que se deslocam a esses locais em busca do menu completo. Normalmente são casados e já têm filhos”, adianta Carlos Cruz, dizendo que, neste momento, há proxenetas e prostitutas para todos os gostos.
Primeiro, enumera, havia a procura pelas mulheres de Leste, depois o “bumbum” das brasileiras começou a fazer furor e elas passaram a ser as mais procuradas. Agora, são mais as asiáticas, as negras, as grávidas e as lactantes.

Os maus exemplos dos pais
É por isto, refere João Madeira Lopes, que não deve de ser regulamentada a prostituição como uma profissão. “É que estando a reconhecer a prostituição como um trabalho é o mesmo que reconhecer o proxenetismo como um negócio e nós não queremos que o nosso país seja um proxeneta”, diz.
A mesma opinião é partilhada por Carlos Cruz. Para ele, não será a regulamentação que transformará a prostituição em algo normal. “Temos é de intervir nas escolas e na sociedade”, defende, dizendo que deve-se começar logo pelos pais que, hoje em dia, só consomem filmes pornográficos. “Depois vê-se no comportamento das crianças e jovens”, diz.
Para Sandra Benfica, o importante neste momento é passar a palavra até para os jovens perceberem que a prostituição não é um “trabalho normal” de ganhar dinheiro e que “muitas mulheres o fazem para pagar as contas da casa e dos filhos que estão nas universidades”, refere. É por isso, defende, que a prostituição não deve ser regulamentada. “Temos, sim, é de dar condições para não permitir que as mulheres se escondam, pois quanto mais longe da vista, mais perigoso fica”, admite.

Mais de quatro milhões de euros em anúncios de sexo

São mais de três milhões de euros que o Correio da Manhã arrecadou em 2010 com os classificados de índole erótica, segundo dados mais recentes da Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC). Os valores têm por base os anúncios publicados em 26 de Junho de 2009 a cinco jornais nacionais. Além da recordista em receitas, o Diário de Notícias recebeu mais de um milhão de euros, o jornal Record e Jornal de Notícias mais de 400 mil euros e o Público mais de 25 mil euros.

Anúncios de sexo nos jornais substituíram debate, em Santarém, sobre a prostituição

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