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Sofrer 235 golos e derrotas pesadas não é para todos
Equipa Juvenis do Benfica de Abrantes deu uma lição de resistência e humildade ao longo de uma época

Sofrer 235 golos e derrotas pesadas não é para todos

Juvenis do Benfica de Abrantes perderam todos os jogos do campeonato mas não desistiram e deram lição de humildade.

Edição de 17.05.2018 | Desporto

Os jogadores do União de Almeirim passavam como flechas pelos juvenis do Benfica de Abrantes. “Parece que vão de mota”, comentava o fiscal de linha. O treinador da equipa encarnada evitava mais uma grande goleada, no último jogo da época, em casa, frente aos azuis primeiros classificados do campeonato distrital da 1ª divisão em juvenis, com palavras de incentivo e algumas piadas: “Estás a melhorar nos lançamentos, tens andado a treinar em casa?”.
Para quem, a cada jogo, chegava a levar abadas de dez golos de diferença e num com o Goleganense de 27-0, o técnico Fábio Barrocas já nem estava preocupado com os 235 golos sofridos. Encarava a marca histórica com desportivismo. Arma que usou para conseguir levar a equipa até ao fim. “Agora à tarde, quando estiver em casa, já vou ver se atingimos o recorde”.
O treinador encarnado Fábio Barrocas sabia que pouco podia fazer perante um campeão anunciado e apostou nos fora-de-jogo para evitar mais uma pesada derrota. “Perdemos mas sacámos duas dezenas de foras-de-jogo ao União”, comentava. O jogo terminaria com a vitória dos jovens de Almeirim por 1-6. “O futebol não é só resultados”, diz o mister.
A lição tinha sido tão bem dada que o jogador Ruben, de apelido Pauleta, admitia que “às vezes também é bom perder”. O Abrantes não ganhou um único jogo e nem sequer conseguiu um empate, tendo sido a única equipa do campeonato com zero pontos. Houve quem chorasse às escondidas ao longo da época, quem desanimasse. Mas a união de grupo manteve-os ao longo de 26 jornadas e apenas dois elementos não aguentaram as humilhações em campo.
Quando pegou na equipa à quarta jornada, o treinador encarnado Fábio Barrocas sabia que pouco podia fazer, perante uma equipa com alguns jovens que estavam a jogar pela primeira vez. Em vez de se preocupar com resultados apostou em treinos divertidos. Em alguns casos teve que ensinar o básico do jogo. “Só quem cá esteve é que sabe das dificuldades”, afirmava Barrocas a O MIRANTE
no final do jogo. “O mais fácil é ganhar jogos, o difícil é encarar as derrotas”, salientava Guilherme Abana, jogador que viu esta época como uma experiência de vida. “Complicado é perder e andar cá”.
A postura destes jovens que viram na união a força de aguentar as adversidades, valeu-lhes o reconhecimento dos jogadores da equipa campeã no jogo de domingo, em Abrantes. Os jogadores do União de Almeirim, que nem festejavam os golos, esperaram a equipa encarnada à entrada dos balneários e bateram-lhe palmas de mérito. Barrocas faz um balanço positivo de uma época desastrosa, porque os seus jogadores mostraram uma grande virtude e um grande carácter. “Saio daqui melhor pessoa porque aprendi e eles também vão ser grandes homens, porque é nas dificuldades que aprendemos”.

Muitas equipas prejudicam competitividade
O treinador dos juvenis do Abrantes considera que existem muitas equipas de formação no concelho e que assim é mais difícil haver uma equipa forte e competitiva. Para aparecerem resultados, defende, é preciso haver jogadores de qualidade em quantidade. Fábio Barrocas diz que é preciso pensar se o concelho de Abrantes tem capacidade para tanta equipa jovem. “Quando aceitamos todos, os que jogam e os que não sabem jogar, numa fase destas da formação e numa divisão importante, é porque alguma coisa está mal”. Mas com isto a equipa encarnada deu uma grande lição de humildade e resistência.

Sofrer 235 golos e derrotas pesadas não é para todos

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