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Portugal às voltas

Se não forem também os geógrafos a dizerem-nos como se povoa o interior quem o faz? Será que estou errado quando exijo este desafio aos meus alunos? O mais fácil, autoestradas, centros de saúde, escolas, piscinas, etc., está feito, mesmo que não cumpram o seu papel; e o mais importante – as pessoas, o povoamento do interior – quem sabe disto? Vale a pena pensar num planeta sobrelotado e esgotado ou não? Permanecemos orgulhosamente sós até dar?

Edição de 17.05.2018 | Opinião

O geógrafo Álvaro Domingues há muito que anda às voltas com Portugal. Em Évora apresentou o seu mais recente livro – Volta a Portugal – e aos costumes (quase) disse nada. Coisa rara de acontecer, o auditório da Universidade estava a abarrotar de gente, mesmo sendo hora de ir buscar os gaiatos à escola e passear o cão. Quando a coisa é bem divulgada e o tema é interessante não falha. Há uns meses, quando o livro saiu, comprei-o e usei-o nas aulas. Facultei a obra aos meus alunos e incentivei-os a lerem. Disse-nos Álvaro Domingues que em Melgaço, sua terra natal, “não há oportunidades de emprego”. Mas nada mais, é assim. “Não é bom nem mau”, a sua opinião não nos contou, “limito-me a explicar”, disse. “Isto, ou o seu contrário”, qualquer coisa está certa, fica por conta de cada um e todos, supostamente, temos a mesma responsabilidade. A presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, curiosamente também geógrafa, Hortênsia Menino, diz o mesmo: “não há oportunidades de emprego.” Abrantes ou Mação dizem a mesma coisa. Mas a presidente de Montemor diz mais alguma coisa, quer emprego, mas não quer que se explore o ouro no Escoural. Vamos ver se algum geógrafo, ou talvez um político licenciado em direito ao domingo, nos sabe dizer como se faz? Todos sabemos que os estrangeiros no Algarve não querem petróleo no Algarve e etc.
Safam-se as “casas penduradas” na Madeira, provavelmente um dia destes serão património da UNESCO, que graças à geologia e às artes das gentes não necessitam de traço de arquiteto ou opinião de geógrafo. Se não ficámos a saber o que é “certo” ou “errado”, tão pouco se os que restam em Melgaço são, ou não, felizes, para que nos servem as fotografias? Se não forem também os geógrafos a dizerem-nos como se povoa o interior quem o faz? Será que estou errado quando exijo este desafio aos meus alunos? O mais fácil, autoestradas, centros de saúde, escolas, piscinas, etc., está feito, mesmo que não cumpram o seu papel; e o mais importante – as pessoas, o povoamento do interior – quem sabe disto? Vale a pena pensar num planeta sobrelotado e esgotado ou não? Permanecemos orgulhosamente sós até dar?
Carlos A. Cupeto – Universidade de Évora

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