uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Jovem com leucemia tem no pai o aliado para vencer a doença
Sebastião Grácio não esconde a emoção por poder ajudar o seu filho, Cláudio

Jovem com leucemia tem no pai o aliado para vencer a doença

Cláudio Grácio, residente em Abrantes, confronta-se com uma leucemia mieloide aguda e ficou há pouco tempo a saber que o pai é dador compatível de medula óssea. Um caso que os médicos dizem ser raro e que a família classifica como um milagre.

Edição de 17.05.2018 | Sociedade

O sorriso rasgado de Cláudio Grácio e a cumplicidade com o seu pai, Sebastião Grácio, enternecem qualquer um. Afinal, sem que nada o fizesse prever, o pai é o dador compatível de medula óssea que permite rasgar horizontes mais risonhos para o futuro do filho, que sofre de leucemia mieloide aguda. Um caso raro, segundo a médica que o acompanha, já que, por norma, existe compatibilidade entre irmãos mas poucas vezes entre pai e filho. “É um autêntico milagre. Agora é continuar o caminho que, até agora, está a correr bem, e aguardar para fazer o transplante. Depois logo se verá, já que vai ser tudo novidade”, diz Cláudio a O MIRANTE,
três dias depois de ter tido alta do Hospital dos Capuchos, em Lisboa, onde esteve internado durante mês e meio.
Foi numa das muitas visitas dos pais e da namorada do jovem, Tatiana Damas, que a médica que o acompanha deu a boa notícia. “Estávamos todos de volta do Cláudio quando a médica nos disse que já tinha encontrado um dador compatível e que era eu. Aí, comecei logo a chorar e o Cláudio também. Foi uma emoção muito grande”, confessa Sebastião Grácio. Agora, diz, o importante é ter força e paciência e continuar o caminho para que o Cláudio vença esta maldita doença.
Cláudio Grácio, 26 anos, natural de Abrantes, motorista de transportes colectivos, sempre foi um jovem saudável até lhe ser diagnosticada leucemia mieloide aguda em Dezembro de 2015. Primeiro começou a suar muito durante a noite e a ter o nariz entupido. Depois apareceram os hematomas nas pernas, as manchas vermelhas nos pés. Até que uma hemorragia num dos olhos fez com que deixasse de ver dessa vista. E aí decidiu ir ao médico. “Ainda andei uma semana embrulhado entre exames. Mas, já no Hospital de Tomar, a médica apercebeu-se de que algo não estava bem e mandou fazer análises”, conta o jovem. Dias depois chegaram os resultados. “Estava com a minha mãe quando me ligaram. Primeiro contaram-lhe a ela e depois a mim. Ficamos todos em choque e a chorar”, relata.

O segundo ataque da doença
Cláudio foi internado no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, e começou a fazer de imediato várias sessões de quimioterapia. “Dessa vez custou-me mais. Era tudo novidade”, confessa o jovem. A parte pior, conta, foi quando teve de rapar o cabelo e cortar a barba. “Não estava habituado a ver-me assim e custou-me bastante”, admite, olhando para uma foto de quando a doença ainda não o tinha consumido. Os tratamentos duraram um mês. Mal os valores normalizaram a médica do Hospital dos Capuchos deu-lhe alta. Começou, então, a refazer a sua vida. “O Cláudio ficou bem. Até parecia que tinha vencido a luta, mas o pior infelizmente voltou”, diz Sebastião Grácio.
Foi no dia 29 de Março deste ano que começou a sentir outra vez os sintomas. “Nesse dia, quando cheguei a casa com a minha namorada, senti-me muito cansado mas achei que fosse normal. Entretanto, fui-me deitar e já no dia seguinte, quando fui à casa-de-banho, apercebi-me que tinha aparecido um hematoma na perna e manchas nos pés. Era a maldita doença que tinha regressado”, conta o jovem natural de Abrantes. Cláudio foi imediatamente internado no Hospital dos Capuchos e começou a fazer os tratamentos de quimioterapia até 9 de Maio, quando teve alta do hospital.

Assistiu ao nascimento do filho por videochamada

Foi no Hospital dos Capuchos que Cláudio assistiu, por videochamada feita pela sua sogra, ao nascimento do seu filho, Gustavo, no dia 7 de Maio. “Foi um misto de sensações. Por um lado estava feliz por ver o meu filho nascer, mas por outro senti uma grande tristeza por não poder estar ao pé deles naquele momento especial”, confessa o jovem, sem saber ainda que passados dois dias ia ter alta e ia poder estar com o filho e a namorada. “Não estive no parto mas estou aqui em casa para os receber”, diz, sorrindo.

Jovem com leucemia tem no pai o aliado para vencer a doença

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...

    Capas

    Assine O MIRANTE e receba o Jornal em casa
    Clique para fazer o pedido