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“É uma vergonha termos ficado sem Direcção Regional de Cultura”
O padre Joaquim Ganhão com o presidente da câmara de Santarém

“É uma vergonha termos ficado sem Direcção Regional de Cultura”

Director do Museu Diocesano e presidente da Câmara de Santarém deixam críticas às políticas da administração central para o património no aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Pernes

Edição de 31.05.2018 | Sociedade

“Uma das páginas mais negras para o património da região foi a extinção da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo, porque ficámos sem voz, ficámos sem quem olhe para nós, por mais simpatia que nos apresentem na Direcção Geral do Património Cultural (DGPC)”. O desabafo foi proferido pelo padre Joaquim Ganhão, director do Museu Diocesano de Santarém, durante o 431º aniversário da Santa Casa da Misericórdia de Pernes onde se falou de património.
Joaquim Ganhão foi ainda mais longe nas críticas dizendo que “é uma vergonha o que se está a passar em relação ao património da região do Vale do Tejo. Como é claro, Lisboa é Lisboa e nós passámos a ser paisagem”.
A opinião é partilhada pelo presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves (PSD), que refere que “ao nível dos fundos comunitários não há o dinheiro que deveria existir para recuperar o património”, acrescentando que em edifícios mais pequenos não foi feito o mapeamento, o que torna o acesso aos fundos quase impossível.
“Em projectos mais pequenos, e como não temos uma Direcção Regional de Cultura, não houve mapeamento de alguns edifícios porque a nossa direcção é a de Lisboa e esse trabalho não foi feito e fomos prejudicados. Já em Évora, como eles têm uma Direcção Regional no Alentejo, esse trabalho foi feito em todos os edifícios e deram esse contributo para os fundos comunitários. Só reparei mais tarde que a DGPC é que deveria ter feito esse trabalho e não fez e só se preocupou com as grandes obras e edifícios. Espero que isto possa ser alterado”, disse.
O padre Ganhão afirmou que “é preciso unir esforços e trabalhar para recuperar aquilo que perdemos”. E referindo-se ao Museu Diocesano de Santarém, diz que só foi possível fazer aquela grande obra graças à capacidade que a direcção à época teve para entender este projecto como determinante não só para a igreja e para a cidade de Santarém mas também para a região”.

DGPC tem de deixar de ser fundamentalista
O presidente da Câmara de Santarém referiu ainda que a Direcção Geral do Património Cultural (DGPC) “tem de deixar de ser fundamentalista em relação à utilização de alguns materiais nomeadamente ao nível dos centros históricos porque há materiais que poderiam ser utilizados nos dias de hoje e não é possível”.
“Daqui a 100 anos vêm estudar o ano de 2018 e percebem que andámos a utilizar os mesmo materiais que usámos no início do século XX e vão chegar à conclusão que andámos dois séculos a utilizar os mesmos materiais nos centros históricos, ou seja, nós não vamos deixar uma pegada geracional nos centros históricos”, afirmou o autarca.
Ricardo Gonçalves sublinhou que “as condições de vida alteraram-se, as questões de conforto alteraram-se”, ressalvando que “nenhum autarca quererá deturpar o que é um centro histórico” e pedindo “mais facilidades e mais agilidade ao nível das intervenções”.

“É uma vergonha termos ficado sem Direcção Regional de Cultura”

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