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Animais de estimação são armas de arremesso em conflitos entre vizinhos
Ana Maria Moreira, da Associação de Defesa dos Animais de Abrantes, tem 11 cães e quatro gatos

Animais de estimação são armas de arremesso em conflitos entre vizinhos

Santarém recebeu Ciclo de Conferências “Animais e Direito”. Foi defendida a aplicação de coimas a quem não limpa os dejectos dos seus animais da via pública e referido que muitas vezes o mau comportamento do animal está ligado à educação dada pelo dono.

Edição de 07.06.2018 | Sociedade

Os conflitos entre vizinhos sempre existiram mas a moda agora é usarem-se os cães e gatos como arma de arremesso. É assim que alguns donos de animais presentes no Ciclo de Conferências “Animais e Direito”, realizado no dia 30 de Maio, na Casa do Brasil, em Santarém, explicam o aumento do número de quezílias em condomínios. Ainda assim, admite Ana Maria Moreira, da Associação de Defesa dos Animais de Abrantes (ADACA), muitas vezes o mau comportamento do animal está ligado à educação dada pelo seu dono. “É natural que um vizinho se possa sentir incomodado pelo ladrar do animal, da mesma forma que também me posso sentir incomodada com o barulho que ele faz lá em casa mesmo não tendo um cão”, afirma a proprietária de 11 cães e quatro gatos.
Maria Guilhermina Magalhães, dona de três cães, recorda-se bem do último conflito que teve com uma vizinha no prédio onde reside há 45 anos, em Santarém. Foi há cerca de dois meses. Na altura, Guilhermina tinha uma cadela com um tumor maligno e começou a largar um cheiro a sangue quando andava com ela no elevador. A sua vizinha não gostou e fez queixa na câmara. O veterinário municipal foi a sua casa e Guilhermina conseguiu provar que a situação ocorria por doença do animal. “Na altura, fiquei muito apreensiva se seria necessário abatê-la, mas felizmente não foi necessário”, conta. Para a voluntária da Associação Scalabitana de Protecção Animal (ASPA), os animais não são os causadores dos problemas, mas sim a vizinhança.
“Há animais que fazem melhor figura que muita gente”
E se os donos de animais de estimação têm opinião semelhante acerca das causas dos conflitos entre vizinhos, o mesmo acontece em relação às coimas quando os donos dos animais não apanham os dejectos do espaço público. Para Ana Maria Moreira, as coimas devem ser aplicadas e até deviam ter um valor maior. “É vergonhoso o que se vê por aí. Os donos vão passear com os seus animais e depois não apanham os dejectos. Se fosse num pinhal ainda se compreendia, agora no meio da rua não se admite”, afirma.
Também Ana Filipa Inácio defende o mesmo. Para a vice-presidente da ADACA existe uma certa mania de culpar os animais abandonados pelos dejectos encontrados nos passeios, mas não é verdade, pois estes não costumam fazer as necessidades nas vias públicas, fazem na vegetação. “Os dejectos nas ruas são de animais com dono e que não levam o saquinho”, afirma.
Também sobre a nova lei que possibilita entrada de animais de estimação em restaurantes os donos de animais partilham da mesma ideia: a lei está bem feita, mas os donos têm de ter responsabilidade e bom senso na hora de levar os animais. “Tenho 11 cães e nunca passaria pela minha cabeça levar alguns deles comigo a um restaurante pois sei que não teriam um comportamento adequado. Mas tenho outros que fariam melhor figura que muita gente”, declara Ana Maria Moreira.

Animais de estimação são armas de arremesso em conflitos entre vizinhos

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