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Crónica de uma despedida anunciada
Jorge Justino ladeado por Inês Barroso, Isaura Morais e João Moutão

Crónica de uma despedida anunciada

Relato resumido da tarde em que Jorge Justino presidiu pela última vez ao aniversário do Instituto Politécnico de Santarém.

Edição de 14.06.2018 | Sociedade

O aniversário era do Instituto Politécnico de Santarém (IPS), o 38.º para ser preciso, mas foi o (ainda) seu presidente, Jorge Justino, que está de saída, quem mais encómios e felicitações recebeu na tarde de 6 de Junho no auditório da Escola Superior de Desporto de Rio Maior. O cronista registou e não resistiu à analogia com o célebre verso cantado em modo fado conimbricense: “Coimbra tem mais encanto, na hora da despedida…”.
O programa era recheado: só oradores eram oito, o que perspectivava uma tarde onde o verbo seria rei. Mas antes foi a música, por dois exímios instrumentistas de guitarra portuguesa e de viola, Ricardo Gama e João Pedro Correia. Depois, sim, foi o verbo. E Jorge Justino abriu o cortejo. Só nos cumprimentos, entre os personalizados e os mais genéricos, gastou os três primeiros minutos – já vimos pior, diga-se! – e depois embalou para uma dissertação a rondar os 19 minutos em que falou da obra feita nos últimos oito anos e dos sonhos para o futuro. Muitos deles coincidentes com os dos dois candidatos a suceder-lhe no cargo, que vão a votos neste mês de Junho, como a aposta na internacionalização, o reforço da ligação à comunidade local e regional e a diminuição da dependência do Orçamento de Estado com o aumento das receitas próprias do IPS, por exemplo.
A meio da intervenção o repórter começou a ouvir (e não foi só ele, com toda a certeza) uns suspiros mais profundos que descambaram num ressonar a sono solto. Foi pouco mais de um minuto. O conforto do auditório, que registava cerca de meia casa, fez mossa depois do almoço e houve mais convidados a passar pelas brasas. Mas silenciosamente…
Adiante, porque havia mais sete oradores no programa. E a segunda intervenção pertenceu à presidente da Associação de Estudantes da Escola Superior de Desporto de Rio Maior, Diana Silva. Não falou mais do que um minuto e revelou que tem futuro como velocista, nem que seja ao nível do discurso. O tempo dos estudantes irreverentes e reivindicativos já lá vai?
Veio depois o director da Escola Superior de Desporto, João Moutão, que abriu o concurso para apurar quem tecia mais e melhores elogios a Jorge Justino. Não poupou nas palavras dirigidas ao presidente do IPS, por ter dedicado a sua vida e carreira a essa casa e causa. Nessa competição particular, a presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, e a vereadora da Educação da Câmara de Santarém, Inês Barroso, estavam em desvantagem na grelha de partida e quando chegou a sua vez já pouco mais havia para dizer. Pensávamos nós…
Isaura Morais, a jogar em casa, tirou um trunfo da manga e aproveitou para anunciar que vai propor ao executivo camarário uma homenagem a Jorge Justino no próximo dia do município de Rio Maior, que se celebra a 6 de Novembro. Era difícil a Inês Barroso fazer melhor. Pelo que recorreu a duas citações para mostrar serviço. Gostámos particularmente de uma: “Aquele que não luta pelo futuro que quer, deve aceitar o futuro que vier”. Sábias palavras.
Entretanto estava esgotada uma hora de cerimónia e deu-se o interlúdio nos discursos para a entrega de prémios a professores e alunos. Pela frente havia ainda intervenções do presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Pedro Dominguinhos, do membro do conselho de administração da A3ES, João Duarte Silva, e a oração de sapiência da praxe, a cargo de Eduardo Marçal Grilo – o homem que era ministro da Educação quando, em 1997, o Governo de António Guterres aprovou a criação da Escola Superior de Desporto de Rio Maior. E por isso foi justamente homenageado nessa tarde. Se não fosse ele, dificilmente estaríamos ali todos naquela tarde de Primavera envergonhada.

João Calhaz

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