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Receitas dos tempos em que se comiam cobras e cegonhas
Autarcas da Lezíria do Tejo e outras entidades brindaram à Carta Gastronómica do Ribatejo

Receitas dos tempos em que se comiam cobras e cegonhas

Carta Gastronómica do Ribatejo está concluída e a sua publicação em livro e em formato digital deve ocorrer no próximo Festival Nacional de Gastronomia, em Santarém.

Edição de 14.06.2018 | Sociedade

Receitas ribatejanas com cobra e cegonha são algumas das curiosidades que se podem encontrar na Carta Gastronómica do Ribatejo – Terras da Lezíria, uma compilação de saberes e sabores ancestrais recolhidos pela Confraria da Gastronomia do Ribatejo sob coordenação de Armando Fernandes. O resultado desse trabalho de investigação foi entregue na tarde de 7 de Junho ao presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo (ERTAR), organismo que vai tratar da sua edição em papel e em formato digital. A intenção é que o documento final seja apresentado durante o próximo Festival Nacional de Gastronomia, em Santarém, em Outubro.
O projecto foi lançado há cerca de três anos pela Confraria da Gastronomia do Ribatejo e acolhido pela ERTAR, Câmara de Santarém e Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo. Foram recolhidas 557 receitas, a maior parte delas ligadas às classes mais desfavorecidas, embora haja também pratos que eram habitualmente servidos nas casas mais abonadas. Foi um trabalho exaustivo de recolha, através de mais de 180 entrevistas a pessoas na sua maior parte idosas e algumas já acamadas, com muitos quilómetros percorridos na região, diz Joaquim Ferreira, da Confraria da Gastronomia do Ribatejo.
Com este documento fica-se a saber o que se comia habitualmente nos casamentos, no Natal, na Páscoa e noutros momentos festivos, nos vários concelhos da Lezíria do Tejo. “Ficámos surpreendidos com algumas receitas, como as de cobra e cegonha”, diz Joaquim Ferreira, acrescentando que as pessoas mais jovens não têm noção do que se comia antigamente. “O receituário desta parte do Ribatejo é muito pobre, a maior parte é de comeres de tacho, sem grandes requintes, com receitas muito simples”, refere.
“Não se trata de um simples livro de receitas mas sim de um tratado sobre alimentação das gentes da lezíria”, enfatizou Cruz Marques, provedor da Confraria da Gastronomia do Ribatejo. Armando Fernandes sublinhou que não houve uma única receita que não tivesse sido transmitida pessoalmente, desafiando a Câmara de Santarém a organizar na cidade um festival nacional das cozinhas populares, “tendo em conta esta Carta Gastronómica e recebendo os contributos de outras regiões”.
O presidente da Entidade de Turismo, Ceia da Silva, considera a Carta Gastronómica uma “memória viva” que conta muitas histórias desconhecidas da maioria, referindo ainda que está a decorrer a certificação de restaurantes da região, que serão cerca de 40. As primeiras certificações devem ocorrer ainda este mês.
O presidente da Câmara de Santarém, Ricardo Gonçalves, e o presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, Pedro Ribeiro, elogiaram o trabalho feito e a importância do mesmo.

Receitas dos tempos em que se comiam cobras e cegonhas

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