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Michael Golden, presidente da Wan-IFRA, denuncia prisão e morte de jornalistas
Foto DR Michael Golden citou D. João I, o Mestre de Avis, no seu discurso de abertura no Estoril

Michael Golden, presidente da Wan-IFRA, denuncia prisão e morte de jornalistas

O presidente da Associação Mundial de Editores centrou o seu discurso de abertura do congresso, que se realizou no Estoril, nos ataques aos jornalismo livre, na morte de jornalistas, no movimento que anda a mudar o mundo com as denúncias de assédio sexual, e na confiança em alternativas para o negócio dos media

Michael Golden, presidente da Wan-IFRA, abriu o 70º. encontro da organização, que decorreu no Estoril, entre 6 e 8 de Junho, com referências à liberdade de imprensa “que está sob crescente ataque em todo o mundo”, lembrando o papel da associação no apoio “a uma imprensa livre e independente, crítica quanto baste, para o desenvolvimento da sociedade e da democracia em todo o mundo”. “Os ataques contínuos à nossa credibilidade e à liberdade de criar nosso jornalismo vêm de duas fontes perigosas: a primeira é a intenção dos líderes políticos em negar a realidade e tentar criar uma falsa narrativa em torno de suas acções e do que está acontecendo. A segunda é a propagação de mentiras e desinformação rotuladas como “notícias falsas”, que vêm de uma ampla variedade de fontes, desde governamentais a agentes políticos”, referiu, desafiando os editores a partilharem e compartilharem soluções conjuntas para o sucesso das suas empresas.
“Em muitas partes do mundo, a liberdade de imprensa está sendo eliminada ou está sob ataque. Muitos jornalistas acham que reportar é um risco para a sua liberdade e até para suas vidas. Nos primeiros cinco meses deste ano pelo menos 27 jornalistas foram mortos como resultado directo de seu trabalho”, denunciou.
Michael Golden falou ainda dos ataques aos jornalistas no Iraque, Síria, Afeganistão, Equador, Colômbia e México. Referiu-se à morte do jornalista Javier Valdez Cárdenas, ao assassínio de Gauri Lankesh, na India, Daphne Caruana Galizia, em Malta e Ján Kuciak, na Eslováquia.
“Na Turquia, Irão, China e Egito, vemos um número crescente de jornalistas presos por fazerem o seu trabalho. O Committee to Protect Journalist relata que actualmente há cerca de 260 jornalistas presos em todo o mundo (:) A acção directa do governo para fechar os veículos de imprensa está aumentando na Turquia e no Cambodja. Na Hungria, os meios de comunicação financiados pelo governo estão prejudicando financeiramente os media independentes e criando monopólios na distribuição” (:) “Como americano, nunca pensei que veria o dia em que o presidente dos Estados Unidos da América realizasse um ataque contínuo e intenso para minar a credibilidade da imprensa nos EUA”, referiu ainda, acrescentando que Trump dá pretexto para que “déspotas de todo o mundo possam afirmar que estão se comportando da mesma maneira que os Estados Unidos”. Por fim referiu “uma dívida de gratidão para com a Dinamarca, Noruega e Suécia, pela ajuda que dão na denúncia dos crimes”.

O Movimento #Metoo
“Apoiar e criar jornalismo é o que nos motiva nesta indústria. Hoje vemos exemplos do impacto do nosso jornalismo em uma base global. O movimento #metoo que está alterando as relações entre homens e mulheres em todo o mundo surgiu a partir de reportagens que criaram uma nova e inegável visão de como alguns homens poderosos usaram sua riqueza, os recursos de suas empresas e uma rede de facilitadores para esconder assédio e agressão sexual que eles cometeram. O relatório mostrou um padrão de comportamento que ficou claro e documentado. Mulheres corajosas se identificaram publicamente e contaram suas histórias. Tudo começou na indústria de entretenimento, mas rapidamente se espalhou por indústrias tão diversas quanto moda, restaurantes, fabricantes de automóveis e empresas de tecnologia. Está tocando todas as facetas da sociedade em todo o mundo. Este é o jornalismo de impacto que está tornando o futuro melhor para as mulheres e melhor para a sociedade”, destacou.
Depois de acentuar que as “revelações de como a Cambridge Analytica extraiu e explorou dados do Facebook concentrou a discussão no papel que o Facebook desempenha no mundo e que acções devem ser tomadas para regulá-lo”, Michel Golden acabou o seu discurso referindo o papel da associação no apoio aos editores, dando testemunho de que acredita nos “novos modelos de negócios que dependam menos da publicidade e mais da receita do consumidor”.

Michael Golden citou D. João I

“Encontra-mo-nos hoje em Portugal. D. João I é um lendário governante português cujo lema era “Por Bem”, que significa “Para o Bem”. É por isso que nos reunimos”.
Foi com estas palavras que Michael Golden, presidente da WAN-IFRA, encerrou o discurso de abertura do 70º. encontro de editores de todo o mundo. A referência ao Rei de Portugal D. João I, (1357-1433), conhecido como o Mestre de Avis, e apelidado de “o de Boa Memória”, foi uma surpresa mas percebe-se pela importância que teve na expansão portuguesa pelo mundo.
Recorde-se que foi D. João I, ao conquistar Ceuta em 1415, considerada praça estratégica para a navegação e conquista no norte de África, que deu início à expansão portuguesa. Em Ceuta foram armados cavaleiros os seus filhos D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique, irmãos da chamada ínclita geração.

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