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Alunos de Benavente andam centenas de metros sem vigilância para terem educação física
Alguns pais temem pela segurança dos filhos quando saem sem vigilância para praticar educação física

Alunos de Benavente andam centenas de metros sem vigilância para terem educação física

Jovens da Escola Básica Duarte Lopes percorrem trajecto até ao pavilhão desportivo e às piscinas da vila sem acompanhamento de adultos. Pais criticam a situação e pedem soluções.

Edição de 27.06.2018 | Sociedade

Quase meio milhar de alunos da Escola Básica dos 2º e 3º ciclos Duarte Lopes, em Benavente, são obrigados a sair da escola e caminharem sozinhos pela vila até ao pavilhão e às piscinas municipais para poderem ter educação física e natação. Tudo porque a escola é velha e não tem um pavilhão interno onde os menores possam frequentar essas aulas.
Devido à falta de pessoal, não há auxiliares para acompanhar os jovens, na sua maioria com idades entre os 10 e os 15 anos, no trajecto entre a escola e esses espaços desportivos, que distam 400 metros da escola ao pavilhão e 800 às piscinas municipais, deixando-os sem vigilância de um adulto e vulneráveis a ataques ou assaltos.
Liliana Silva é mãe de uma das crianças que agora passou para aquele estabelecimento de ensino e já manifestou a sua indignação e revolta pelo facto de ninguém resolver o problema. Liliana considera a situação “criminosa” por deixarem as crianças ao abandono no percurso e apela à “máxima urgência” na sua resolução. A Inspecção-Geral da Educação e Ciência (IGEC) já abriu um inquérito na sequência de várias queixas apresentadas pelos pais.
A O MIRANTE, o director do Agrupamento de Escolas de Benavente, Mário Santos, reconhece que a situação deixa os pais preocupados mas lamenta que a administração central não permita à escola ter um maior número de assistentes operacionais para acautelar a vigilância das crianças. Assegura, no entanto, que “nas primeiras vezes” um professor acompanha os alunos no percurso para estes conhecerem o caminho.
“Infelizmente esta é uma situação que acontece pelo país inteiro. Naquela escola há fracas condições para a educação física. Há escolas que vão conseguindo ter funcionários mas nós não temos e a opção seria deixarmos de ter a natação ou as aulas no pavilhão municipal, o que seria um retrocesso e perda enormes. O trajecto é pequeno e os jovens estão sempre cobertos pelo seguro escolar caso algo aconteça, que nestes anos todos nunca aconteceu. Estamos a procurar uma nova e melhor solução porque também não estamos satisfeitos com o que temos”, refere.
O líder do agrupamento informa também que já expôs o caso ao Ministério da Educação, não tendo ainda obtido resposta oficial. Até ao fecho desta edição não foi possível obter uma resposta do ministério a este caso.
Carlos Coutinho (CDU), presidente da Câmara de Benavente, confessa
a O MIRANTE que também não lhe agrada a situação e promete continuar a pressionar a administração central para encontrar uma solução. “Com o actual quadro em vigor a câmara também não tem capacidade para ter ali uma pessoa a tempo inteiro a vigiar o caminho”, lamenta.

Escola precisa de obras

Construída há mais de 30 anos, a EB 2,3 Duarte Lopes precisa de obras urgentes. Além da construção de um pavilhão que permita aos menores ter educação física dentro do recinto escolar, há poucas salas e as que existem estão velhas e degradadas. As casas de banho estão em mau estado e em Março a escola foi notícia por ter sido assaltada duas vezes.
“Gastaram 6,5 milhões de euros a requalificar a Secundária de Benavente, podiam ter gasto menos e aproveitado o valor sobrante para fazer uma intervenção nas escolas que servem o segundo e terceiro ciclo. Temos tentado reivindicar junto da administração central para que estas escolas possam ter intervenção, mas não há boas perspectivas”, lamenta Carlos Coutinho.
Na última reunião pública de câmara também Ricardo Oliveira, vereador do PSD, lamentou a situação considerando que a degradação do estabelecimento é “preocupante”, com condições “lastimáveis” onde “não parece aceitável” obrigar os alunos a ter aulas.

Alunos de Benavente andam centenas de metros sem vigilância para terem educação física

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