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Na feira de velharias de Santarém é só montar a banca e esperar
João Barrão

Na feira de velharias de Santarém é só montar a banca e esperar

Livros, discos, roupa, louças e artesanato fazem parte da parafernália de objectos já com o estatuto de antiguidade que são vendidos no quarto sábado de cada mês no Jardim da Liberdade. Uma feira que tem vindo a crescer e onde não se paga terrado.

Edição de 27.06.2018 | Sociedade

O mini estádio instalado no Jardim da Liberdade, em Santarém, durante o Mundial de futebol, não prejudicou a feira de antiguidades e velharias que lá decorre habitualmente ao quarto sábado de cada mês. Porque o espaço é amplo e vai dando para todos. Do que os vendedores mais se queixam é da falta de instalações sanitárias no recinto e da escassez de sombras.
Mesmo junto ao mini campo de futebol onde está o ecrã gigante, debaixo de um chapéu de sol devidamente enfeitado com a bandeira de Portugal e um cachecol com as cores da selecção, encontrámos João Barrão. A vender há cerca de quatro anos, o bate-chapas de 63 anos conta que o bichinho de vender velharias começou numa tarde em que alguns amigos foram à sua casa. “Eles viram os objectos antigos que lá tinha do meu pai e questionaram porque não ia à feira vendê-los”, conta o residente em Santarém à medida que vai ajeitando alguns ‘bibelôs’. “Isto é mais para me ocupar porque isto não dá lucro nenhum”, admite.
A vender desde livros e revistas a lamparinas e cornos de boi, João Barrão admite que o Jardim da Liberdade está bem preparado para receber os vendedores. O único senão é a falta de abrigos para resguardar da chuva do Inverno e do sol do Verão. Quanto ao mini estádio instalado pela câmara o vendedor diz que realmente tira algum espaço à feira, mas nada que prejudique.  “Apertamo-nos mais um pouco e tudo se resolve”, ri-se.

“Desfaço-me da tralha e faço algum dinheiro”
Numa zona privilegiada, debaixo de duas grandes árvores, está Carlos Reis. Há três meses a vender na feira de velharias de Santarém, o motorista de pesados de 54 anos confessa que ganhou o gosto pelas antiguidades após começar a acompanhar um amigo nas feiras. “Primeiro ia só para ajudar, mas depois, como tinha tanta tralha lá em casa, decidi também levar para vender. Desfaço-me dela e faço algum dinheiro”, conta o residente em Marinhais, concelho de Salvaterra de Magos.
Carlos Reis não tem dúvidas que o município escolheu bem o lugar para receber a feira mas há algumas situações que devia de melhorar. Uma delas é a ausência de instalações sanitárias. É que, adianta, “se me der uma dor de barriga como hoje já me deu, como faço?”, questiona. As casas de banho públicas mais próximas estão no mercado municipal e na gare da rodoviária, que ficam nas imediações mas demasiado longe em caso de ‘emergência’.
De chapéu de palha  na cabeça, Joaquim Monteiro vai colocando os últimos objectos na sua banca. Expõe velharias suas e também que encontrou no sótão do seu pai. A residir em Santarém, há três anos que vende nesta feira. “Isto torna-se quase um vício. São peças que já não se vêem por aí e quando vejo não resisto a comprar para depois vender”, adianta.

Uma vez por mês é pouco
Desde telefones, telemóveis, discos em vinil, livros e revistas, nada falta à banca do vendedor de 50 anos que faz disso vida. Joaquim Monteiro admite que neste momento o Jardim da Liberdade é o espaço perfeito para receber a feira de velharias, que durante muitos anos funcionou no Largo do Padre Chiquito, no centro histórico da cidade.
O que falta, diz, é realziar-se mais do que uma vez por mês. “Se alternasse com a feira que decorre quinzenalmente era uma mais-valia tanto para os vendedores como para a cidade”, defende Joaquim Monteiro.
Em relação ao mini estádio instalado provisoriamente no jardim, não o vê como algo negativo. Até porque, explica, no Verão há menos vendedores por preferirem antes ir para feiras junto ao mar. Mas quando organizaram o Scalabis Night Race já não foi bem assim. “É que depois fomos forçados a ir para o Campo Infante da Câmara e foi uma confusão. Houve pessoas que nunca mais vieram”, afirma.

Joaquim Monteiro
Carlos Reis
Na feira de velharias de Santarém é só montar a banca e esperar

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