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“ (...) Assistimos a um crescimento moderado do número de estudantes, em resultado do esforço de valorização da nossa oferta formativa, situado tanto no plano da diversificação das tipologias de formação como quanto aos domínios científicos predominantes.”

Edição de 05.07.2018 | Especial Ensino

A nossa sociedade enfrenta grandes desafios em vários planos (social, educativo, laboral) e as noções que interiorizámos e que fomos construindo - com base em sucessivas experiências de vida - não podem projetar-se, com a segurança de ontem, num cenário futuro de tão grande incerteza.
A robotização crescente e a digitalização progressiva de toda a economia exige competências digitais robustas e uma capacidade para abordarmos de forma diferente a nossa inserção no mercado de trabalho. Não podemos mais considerar que a formação inicial será sempre suficiente, a todo o tempo, para os desafios que as carreiras profissionais, cada vez mais longas, acabam por apresentar.
Não podemos também, por nós próprios, definir o ritmo da digitalização da sociedade ou garantir a existência futura de uma determinada profissão, para deixar apenas dois exemplos, sobretudo perante os desafios crescentemente transformadores que coletivamente (enquanto sociedade) escolhemos realizar. Quem consegue enunciar hoje um elenco de profissões que, num horizonte de 15 anos, serão estruturantes numa sociedade de “padrão ocidental”? Quem se atreverá a discutir os impactos da crescente utilização de inteligência artificial no mercado de trabalho, para o mesmo horizonte? Como virão a organizar-se os padrões de trabalho e de educação formal em tais contextos?
Em ambientes corporativos exigentes também a incerteza oferecida pelo futuro exige uma resposta organizada. O assumir de uma visão de continuidade das operações, mas fundamentalmente do próprio negócio, motiva as equipas de gestão a perseguir estratégias que limitem ou contenham alguns dos possíveis impactos numa escala de riscos potenciais. Assim, é comum verificar que muitas desenvolvem processos de inovação de grande abrangência (em processos, em serviços ou em produtos) induzindo por essa via fortes necessidades de adaptação dos seus colaboradores.
Por outro lado, temos ainda um trajeto de qualificação a percorrer. Os dados estatísticos colocam Portugal com uma taxa de abandono escolar ainda muito elevada (14% dos jovens entre os 18 e os 24 anos de idade – 10% na média europeia). Cerca de 2/3 dos jovens não continuam estudos para o ensino superior e nos que que continuam ciclos de estudos superiores há ainda uma taxa de insucesso e de abandono com algum significado. Os dados e as projeções demográficas sugerem um decréscimo significativo dos grupos etários 15-24 e 25-34 anos de idade.
Portugal não pode recusar o desafio de qualificação de toda a sua população! Não podemos aceitar que se considere que a sucessão geracional é o instrumento que resolverá o deficit de qualificação ainda existente. Sobretudo se os jovens não parecem prosseguir estudos avançados ou especializados, ou ainda se o insucesso e o abandono não têm uma resposta organizada.
Por mero exercício de senso comum fomos percebendo que os mais elevados níveis de escolarização (mais tempo de escola e a realização de formações de nível mais avançado) são a solução fundamental que permanece dentro do nosso leque de escolhas individual. A resposta perante aqueles desafios terá que ser o reforço das nossas competências, a capacitação em vários domínios e, sobretudo, a disponibilidade para aprender continuamente ao longo da vida.
A campanha “não desistas de ti” da APDC em associação com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e ao Ministério da Educação com a iniciativa “estudar (mais) é preciso” tem como objetivo “levar os jovens a pensar no futuro, (…) nas consequências de deixarem de estudar e motivando-os a apostar na sua formação“.

Os dados são impressivos:
Em média, entre 80% a 91% dos adultos que concluíram os vários níveis de formação superior têm emprego (contra 74% a 79% daqueles que concluem o secundário, e menos de 60% dos adultos que não concluíram o secundário);
Em todos os países da OCDE, a diferença salarial entre adultos com formação superior e adultos com formação secundária é geralmente mais evidente do que a diferença salarial entre estes últimos e os adultos sem formação secundária;
O mercado de trabalho continua a considerar um diploma superior como o principal indicador das competências de um trabalhador;
A ESGT (Escola Superior de Gestão e Tecnologia) do Politécnico de Santarém vem realizando um esforço de ajustamento da sua oferta formativa. Aceitámos imediatamente o desafio de implementar as novas tipologias de formação, como sejam os cursos de TeSP (Técnico Superior Profissional) ou, noutro plano, o registo de cursos em parceria com outras Instituições de Ensino Superior.
A Escola funciona, no presente ano letivo, em registos de máximos históricos relativamente ao número de estudantes, sendo que o principal contributo tem origem na oferta de 1º ciclo, em regime predominantemente diurno, a par com o reforço da procura em cursos de TeSP e a manutenção da procura dos cursos de Mestrado.
Em resumo, assistimos a um crescimento moderado do número de estudantes, em resultado do esforço de valorização da nossa oferta formativa, situado tanto no plano da diversificação das tipologias de formação como quanto aos domínios científicos predominantes na nossa oferta.
Nesta fase, a ESGT procura ainda valorizar o seu relacionamento com a comunidade envolvente, sem prejuízo da atenção necessária que daremos a todos os outros vetores da nossa intervenção. A cooperação com as empresas e as organizações de diversa ordem, a prestação de serviços ou ainda o desenvolvimento conjunto de projetos de investigação orientada são os contributos que a ESGT terá que dar perante a necessidade de contribuir para o reforço do seu papel no desenvolvimento regional.
Termino com um desafio: “é sobretudo o passado que nos oferece certezas. O maior risco é o de não fazer nada. Para abordar o futuro precisamos de estudar mais. – Vem estudar na ESGT!”
Vitor Costa
Diretor da Escola Superior
de Gestão e Tecnologia - Santarém

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