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Alunos de Manutenção de Aeronaves contrariam preconceito do ensino profissional
João Neto, Catarina Mendes e João Batista são alunos do terceiro ano

Alunos de Manutenção de Aeronaves contrariam preconceito do ensino profissional

O preconceito face ao ensino profissional ainda pode pairar no ar mas há quem o contrarie com o seu exemplo. Catarina Mendes, João Neto e João Batista frequentam o terceiro ano do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves, em Alverca, e garantem que foi a melhor escolha que podiam ter tomado.

Edição de 12.07.2018 | Economia

Na Escola Secundária de Gago de Coutinho, em Alverca, concelho de Vila Franca de Xira, há um curso que nasceu para contrariar o preconceito de que para o ensino profissional só vão alunos que não têm aptidão para frequentar o ensino regular. A opinião é de Catarina Mendes, 17 anos, João Neto e João Batista, ambos com 19 anos, alunos do terceiro (e último) ano do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves (TMA).
O estigma que existe pelo ensino profissional não intimidou estes jovens, que tiveram de enfrentar comentários negativos sobre a escolha que faziam no seu seio familiar. Catarina diz-se apaixonada por mecânica e foi no final do ensino básico, que decidiu candidatar-se ao TMA. Contou com o apoio do pai mas a mãe achou que iria ser algo passageiro e que mais tarde a filha trocaria de curso.
Com João Neto o cenário foi semelhante, pois por causa do preconceito com os cursos profissionais, a sua mãe não queria que ele seguisse essa via de ensino. Agora, diz o aluno, a mãe apoia-o a cem por cento e sabe que o mercado de trabalho está de portas abertas para o receber.
A visão deste trio de finalistas é clara: o ensino profissional tanto é para jovens que querem entrar no mercado de trabalho mais cedo, como para aqueles que querem seguir o ensino superior. Só não é para aqueles que querem terminar de uma forma mais fácil o ensino escolar obrigatório (12º ano). Quando entraram, a turma somava 30 alunos e acabaram 21. “Ainda há muita gente com o pensamento que vem para um curso profissional porque é fácil, ou porque querem acabar o 12º ano, mas depois de entrarem sentem dificuldade e desistem”, sublinha João Batista.
Dois deles chegaram a frequentar o 1º ano do curso de Ciências e Tecnologias, do chamado ensino regular, mas rapidamente perceberam que aquilo não lhes dizia nada, sempre que perspectivavam o seu futuro. O problema? “Não é muito direccionado para uma área, torna-se muito subjectivo, sem grandes aprofundamentos”, explica João Neto.
Também o seu colega de curso reconhece que era “muito geral”, com disciplinas que até podiam ser interessantes mas que não lhe “diziam nada quanto a questões futuras”. “Sempre quis ingressar por um ramo mais ligado à mecânica e quando tomei conhecimento da existência do curso de TMA e da oportunidade de estagiar numa empresa ligada ao ramo (OGMA) e da saída profissional que tinha não hesitei”, disse o finalista a O MIRANTE, sublinhando que nunca se havia dedicado tanto à escola como nos últimos três anos.

Emprego garantido
Neste curso, quem passa na prova de aptidão profissional e obtém média final igual ou superior a 14 valores tem acesso directo a um ano de estágio remunerado na OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal. Inúmeros são os exemplos de sucesso, de colegas que ficaram a trabalhar na OGMA e de outros que estão noutras grandes empresas de aviação nacionais e internacionais, dizem os finalistas. No total, a OGMA já recebeu 392 alunos e emprega actualmente 39 antigos formandos do curso de Técnico de Manutenção de Aeronaves da Escola Secundária Gago Coutinho.
“Não é difícil conseguir emprego nesta área. Este é um curso muito técnico, especializado, com rumo traçado. Aqui aprendemos a prática e a teoria. Quem tiver mais estudos do que nós também pode ter facilidade em desempenhar cargos numa empresa como a OGMA, mas nós já estamos no meio, já temos a experiência. Acabamos por dificultar a vida a quem queira entrar na área”, terminam os alunos.
O presidente e CEO da OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, Marco Tulio Pellegrini, destaca a oportunidade dada por este curso aos alunos, de realizarem um estágio na OGMA, “contactando com a realidade concreta do trabalho desenvolvido na empresa” e o “envolvimento directo de colaboradores da OGMA”, na formação teórica dos alunos.

OGMA cria academia

A empresa prepara-se para lançar uma nova aposta na área da formação: a Academia OGMA. Considerando a qualificação e experiência das pessoas do ramo da aeronáutica fundamentais para o seu desenvolvimento, a OGMA refere que é fundamental apostar na formação e certificação de novos profissionais, “ligando o sistema de educação às necessidades específicas das empresas do sector”. Reconhece que a “indústria a nível global precisa de mais técnicos e de mais mecânicos para dar resposta às necessidades futuras de manutenção de aeronaves”, com previsões a apontar para um crescimento de 40 por cento de procura de transporte aéreo, na Europa.

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